Viagem ao fim do dia Rogério Pereira Curitiba – PR Em algum lugar, na indiferença da funerária, está o corpo da filha. Está sendo preparado para a despedida. Edição 185, Rogério Pereira, Setembro de 2015
Quando a noite chega Rogério Pereira Curitiba – PR Eu o vi cortar apressado a praça. No chafariz, os meninos de rua fingiam alguma felicidade. Era ele: o corpo magro, a cabeça grande, meio oval, o jeito serelepe de andar Agosto de 2015, Edição 184, Rogério Pereira
Cachorros sempre voltam Rogério Pereira Curitiba – PR O pai tentou nos matar algumas vezes. Nunca conseguiu Edição 183, Julho de 2015, Rogério Pereira
Tegucigalpa Rogério Pereira Curitiba – PR O mundo cabe em nosso carro. Carregamos as histórias em meio ao trânsito lento. Ruidosos, as mochilas estufadas, eles estão entre as outras crianças. Cada um reage de maneira distinta a minha chegada Edição 182, Junho de 2015, Rogério Pereira
O pequeno argelino Rogério Pereira Curitiba – PR Algumas batalhas são vencidas com dois picolés de chocolate. Nada sabíamos sobre a Argélia. Não falávamos árabe, berbere ou francês. Éramos mudos numa algazarra Edição 181, Maio de 2015, Rogério Pereira
Sapatos de Surfista Rogério Pereira Curitiba – PR Sapatos sem cadarço saem do pé. É preciso amarrá-los com firmeza. Acho que nunca foi moda tirar o cadarço do sapato. Mas não tenho certeza. O mundo da moda sempre me ignorou Abril de 2015, Edição 180, Rogério Pereira
O arco-íris de ponta-cabeça Rogério Pereira Curitiba – PR Sou daltônico. O mundo me parece quase sempre um lugar desbotado, um vidro fosco, uma incômoda lente de contato. Pretendo escrever um livro com minha filha. Ela tem oito anos Edição 179, Março de 2015, Rogério Pereira
Dizem que o abacate é verde Rogério Pereira Curitiba – PR A velha igreja foi derrubada. Em seu lugar, uma nova casa para Deus, cuja torre acaricia as barbas de São Pedro Edição 178, Fevereiro de 2015, Rogério Pereira
O menino do dedo torto Rogério Pereira Curitiba – PR M. era preto e forte. Recostado à parede, dormia com frequência. O corpo ereto. A professora ralhava. Os colegas brancos ríamos do susto de M. pego em flagrante nas manhãs insones em sala de aula Edição 177, Janeiro de 2015, Rogério Pereira
Duas avós Rogério Pereira Curitiba – PR Crônica de Rogério Pereira Dezembro de 2014, Edição 176, Rogério Pereira