Xamãs elétricos na festa do sol é um mergulho na cosmogonia dos Andes, onde música, mito e território se entrelaçam. A equatoriana Mónica Ojeda, reconhecida pela revista Granta como uma das melhores escritoras hispânicas com menos de 35 anos, constrói uma narrativa em que sons de erupções, auroras e tempestades se misturam a instrumentos ancestrais e distorções eletrônicas, compondo uma experiência sensorial única. O romance acompanha personagens que se dirigem ao festival Inti Raymi, situado no calendário andino no ano 5540, em busca de transformação. Jovens como Nicole, Mario e Pamela deixam para trás repressões e conflitos familiares para viver a festa, enquanto figuras como Ernesto Aguarvil, eremita dos Andes, evocam memórias de curandeiros e desaparecimentos. A polifonia narrativa revela tanto os vivos quanto os “Desaparecidos”, que retornam para atrair novos participantes, borrando fronteiras entre realidade e mito. A obra nasce da vontade da autora de atravessar o vulcão El Altar, no Equador, e da percepção de que literatura também pode surgir cantada, rezada e dançada. Ojeda, finalista do National Book Award com Mandíbula e premiada internacionalmente, reafirma aqui sua escrita perturbadora e poética, marcada pela fusão de ancestralidade e contemporaneidade. Xamãs elétricos na festa do sol é, ao mesmo tempo, uma jornada de iniciação e um retrato da força da linguagem como resistência e invenção, confirmando Ojeda como uma das autoras mais instigantes da atualidade.