As mortas recria um dos episódios mais perturbadores da história mexicana: o caso das irmãs conhecidas como “Poquianchis”, responsáveis por uma rede de prostituição e assassinatos nos anos 1960. Jorge Ibargüengoitia transforma esse crime real em literatura, misturando humor ácido, crítica social e olhar jornalístico. Sua escrita direta e irônica expõe tanto a brutalidade dos fatos quanto o absurdo das circunstâncias, revelando os mecanismos de poder e corrupção que sustentaram o caso. O romance, traduzido por Lucas Lazzaretti, apresenta ao leitor brasileiro uma obra que se tornou referência da narrativa policial latino-americana, ao mesmo tempo em que questiona instituições e valores sociais. Personagens densos e situações de impacto fazem de As mortas um sólido retrato da violência e da hipocrisia, reafirmando a atualidade da obra de Ibargüengoitia.