O jornalista e escritor Ruy Castro conquistou o prêmio de Livro do Ano do Jabuti 2026 com Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio (Companhia das Letras). Os vencedores da 68ª edição foram anunciados na noite de terça-feira (27), durante cerimônia realizada na Sala São Paulo, na capital paulista. É a segunda vez consecutiva que o autor recebe a principal distinção do prêmio, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).
A obra também venceu na categoria Biografia e Reportagem. No livro, Ruy Castro reconstitui o cotidiano do Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, perÃodo marcado pela ditadura de Getúlio Vargas e pelos desdobramentos da Segunda Guerra Mundial. A narrativa aborda as transformações da cidade, as disputas polÃticas e o envolvimento do Brasil no conflito. Como vencedor do Livro do Ano, o escritor receberá R$ 70 mil e terá a oportunidade de participar de uma feira internacional do livro, com despesas pagas pela CBL.
Autor de uma extensa produção dedicada à história cultural brasileira, Ruy Castro já foi entrevistado pelo Rascunho em diferentes ocasiões. Em Um intérprete do nosso tempo, conversou com Luiz Rebinski sobre sua trajetória e seu trabalho de investigação histórica e biográfica.
Na categoria Romance Literário, a vencedora foi Eliana Alves Cruz, com Meridiana (Companhia das Letras). O romance acompanha uma famÃlia negra em processo de ascensão social e examina como o racismo atravessa diferentes gerações e relações familiares. Eliana concorreu com Itamar Vieira Junior, Milton Hatoum, Aline Bei e Evandro Affonso Ferreira.
A escritora foi entrevistada por Rogério Pereira na edição de abril do Rascunho. Na conversa, intitulada Sutilezas e brutalidades do racismo, ela abordou a construção de Meridiana, as formas cotidianas de discriminação racial e seu processo de criação literária. Eliana já havia vencido o Jabuti de Conto em 2022, com A vestida, livro também destacado pelo Rascunho.
Em Poesia, o prêmio ficou com Alberto Martins, autor de Boris e Marina (Companhia das Letras). O escritor, que também atua como artista plástico e editor, superou na disputa Adélia Prado, Adriana Lisboa, Nina Rizzi e Bárbara Mançanares. Em 2014, Martins concedeu ao Rascunho a entrevista Poeta-escavador, na qual falou sobre sua relação com a linguagem e as artes visuais. O jornal também publicou uma resenha de Violeta, outra obra do autor.
Na categoria Conto, o vencedor foi o baiano Abáz, com Massaranduba (Senac Rio). A coletânea, que reúne histórias de personagens marginalizados em contextos urbanos e periféricos, já havia recebido o Prêmio Sesc de Literatura em 2025
O vencedor de Crônica foi Humberto Werneck, com Viagem no paÃs da crônica (Tinta-da-China Brasil). O jornalista e escritor disputava a categoria com Hermés Galvão, Contardo Calligaris, DJ Dolores e José Castello, colunista do Rascunho.
Já na categoria Romance de Entretenimento, o prêmio foi concedido a Ian Fraser, por Cartografia para caminhos incertos (IntrÃnseca).
Na categoria Infantil, o Jabuti foi concedido a Leo Cunha e Raquel Matsushita, autores de A letra (Maralto). Em Juvenil, a vencedora foi Tathyana Viana, com A única da sala (FTD). Já o prêmio de Histórias em Quadrinhos ficou com Luckas Iohanathan, por Ouroboros (Comix Zone). É a segunda vez que o quadrinista conquista o Jabuti nessa categoria.
Ao todo, o Jabuti 2026 contemplou 23 categorias, distribuÃdas nos eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. A edição também estreou a categoria Incentivo à Leitura — Cultura Digital, vencida por Pedro PacÃfico, conhecido como Bookster. A escritora Lygia Bojunga foi a personalidade literária homenageada da cerimônia, que celebrou os 50 anos de publicação de A bolsa amarela.