🔓 Prêmio Oceanos anuncia os 12 finalistas de 2026

Adélia Prado, José Eduardo Agualusa, Micheliny Verunschk e Helder Macedo estão entre os selecionados; vencedores serão conhecidos em dezembro
Julia Codo, autora de “Caderno de ossos”
29/10/2026

O Prêmio Oceanos 2026 anunciou os 12 livros finalistas de sua edição, com obras de escritores de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal. A seleção reúne seis títulos de prosa e seis de poesia, escolhidos entre 3.086 inscrições de autores de 13 nacionalidades. Entre os concorrentes estão Adélia Prado, José Eduardo Agualusa, Helder Macedo, Micheliny Verunschk e Edimilson de Almeida Pereira. Os vencedores serão anunciados em 11 de dezembro, durante cerimônia no Itaú Cultural, em São Paulo.

A relação de finalistas foi divulgada na quarta-feira (28), durante evento realizado no Teatro YouTube, em São Paulo, em parceria com a Estante Virtual. A seleção foi feita por dois júris internacionais, um dedicado à prosa e outro à poesia, compostos por representantes de países de língua portuguesa.

Na categoria prosa, três autores portugueses, dois brasileiros e um angolano disputam o prêmio. José Eduardo Agualusa concorre com Tudo sobre Deus (Quetzal/Tusquets), enquanto Micheliny Verunschk está entre os finalistas com Depois do trovão (Companhia das Letras). Também integra a seleção a portuguesa Ana Margarida de Carvalho, autora de A chuva que lança a areia do Saara (Companhia das Letras Portugal).

Em Depois do trovão, Micheliny revisita a chamada Guerra dos Bárbaros, conflito ocorrido no Nordeste brasileiro entre os séculos 17 e 18, marcado pela violência colonial contra populações indígenas. O livro foi apresentado pelo Rascunho na edição de março de 2026. A escritora também concedeu ao jornal a entrevista Precisamos de rupturas, na qual abordou a relação entre ficção, pesquisa histórica e violência colonial a propósito do romance O som do rugido da onça.

A lista de prosa inclui ainda a brasileira Julia Codo, que estreia no romance com Caderno de ossos (Companhia das Letras), narrativa que articula memória familiar e história brasileira. Completam os finalistas da categoria os portugueses Rui Nunes, com Não é ainda o pânico (Relógio D’Água), e Judite Canha Fernandes, com O mel sem abelhas (Gradiva).

Na poesia, o Brasil tem quatro representantes: Adélia Prado, com O jardim das oliveiras (Record); Adriana Lisboa, com Antes de dar nomes ao mundo (Relicário); Nina Rizzi, com Diáspora não é lar (Pallas); e Edimilson de Almeida Pereira, com Porte Étoile (Cobalto Livros). A seleção se completa com o português Helder Macedo, autor de Corpos da memória (Caminho), e o moçambicano Pedro Pereira Lopes, com Tratado das coisas sensíveis (Imprensa Nacional-Casa da Moeda).

Quatro dos livros de poesia finalistas ou seus autores receberam atenção recente do Rascunho. Em maio de 2026, Rafael Fava Belúzio publicou a resenha Baú de sutilezas, dedicada a O jardim das oliveiras, em que examina as relações entre memória, religiosidade e as diferentes fases da produção de Adélia Prado.

Antes de dar nomes ao mundo, de Adriana Lisboa, foi analisado por Rafael Zacca na resenha De pedras e animais, publicada em agosto de 2025. O texto examina as relações entre o humano e o não humano na poesia da escritora e sua reflexão sobre a linguagem e a criação artística.

Já Diáspora não é lar, de Nina Rizzi, foi objeto da resenha Corpo-casa, assinada por Cristiano de Sales em julho de 2026. O livro também motivou o texto Diáspora não é lar, uma carta de Calila das Mercês à poeta, publicada em setembro de 2025, que aborda memória, ancestralidade e corpo.

Outro finalista com trajetória acompanhada pelo jornal é Edimilson de Almeida Pereira. Em 2020, o escritor concedeu a Rogério Pereira a entrevista Um ato radical, sobre sua produção poética e as relações entre literatura e sociedade. Mais recentemente, Cristiano de Sales publicou a resenha Abrir de novo agora, dedicada à reunião de sua obra em Poesia & agora.

Encontro literário e julgamento final
O anúncio dos finalistas foi acompanhado de uma programação literária. As escritoras Julia Codo e Micheliny Verunschk participaram da conversa A literatura como escavação da memória e da história brasileira, mediada pelo escritor e tradutor Felipe Franco Munhoz, integrante do júri de prosa. A programação também incluiu a performance A poesia como discussão do mundo, com Nina Rizzi e Natasha Félix. O evento teve transmissão pelo canal do Prêmio Oceanos no YouTube.

A escolha dos vencedores ficará a cargo de dois novos júris internacionais. Na prosa, a avaliação será feita pelos brasileiros Nara Vidal e Silvana Tavano, pela angolana Ana Paula Tavares e pelos portugueses José Riço Direitinho e Marta Lança.

Na poesia, o júri será composto pelo angolano Ondjaki, pelos brasileiros Ana Maria Vasconcelos, Juliana Krapp e Maria Esther Maciel e pela portuguesa Rita Taborda Duarte.

Os resultados serão divulgados em 11 de dezembro, em cerimônia no teatro do Itaú Cultural, em São Paulo.

Os 12 finalistas do Prêmio Oceanos 2026

PROSA
• A chuva que lança a areia do Saara, Ana Margarida de Carvalho (Portugal) — Companhia das Letras Portugal.
• Caderno de ossos, Julia Codo (Brasil) — Companhia das Letras.
• Depois do trovão, Micheliny Verunschk (Brasil) — Companhia das Letras.
• Não é ainda o pânico, Rui Nunes (Portugal) — Relógio D’Água.
• O mel sem abelhas, Judite Canha Fernandes (Portugal) — Gradiva.
• Tudo sobre Deus, José Eduardo Agualusa (Angola) — Quetzal, em Portugal, e Tusquets, no Brasil.

POESIA
• Antes de dar nomes ao mundo, Adriana Lisboa (Brasil) — Relicário.
• Corpos da memória, Helder Macedo (Portugal) — Caminho.
• Diáspora não é lar, Nina Rizzi (Brasil) — Pallas.
• O jardim das oliveiras, Adélia Prado (Brasil) — Record.
• Porte Étoile, Edimilson de Almeida Pereira (Brasil) — Cobalto Livros.
• Tratado das coisas sensíveis, Pedro Pereira Lopes (Moçambique) — Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Rascunho

O Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

Rascunho