A portuguesa Lídia Jorge venceu o Prêmio Camões 2026. O resultado foi anunciado nesta quinta-feira, após reunião virtual do júri.
Considerada a principal distinção literária em língua portuguesa, a premiação reconhece o conjunto da obra da autora, que receberá 100 mil euros, concedidos pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura, e pelo governo de Portugal. Lídia Jorge também receberá diploma assinado pelos chefes de Estado dos dois países.
Em ata, o júri destacou a contribuição da escritora para a literatura e para o patrimônio cultural da língua portuguesa. O documento menciona, entre outros aspectos de sua obra, a abordagem da guerra colonial, do passado ditatorial português, da condição feminina, da imigração, das transformações sociais e da memória coletiva.
Lídia Jorge estreou na ficção com O dia dos prodígios, publicado em 1980. Entre seus romances mais conhecidos estão A costa dos murmúrios, de 1988, O vale da paixão, de 1998, e Misericórdia, de 2022. Em A costa dos murmúrios, a autora retoma experiências vividas em Moçambique e aborda a guerra colonial a partir da perspectiva de uma mulher.
Nascida em Boliqueime, no Algarve, em 1946, Lídia Jorge é formada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. No início da década de 1970, viveu em Angola e Moçambique, período que marcou parte central de sua produção literária.
Ao longo da carreira, a escritora recebeu distinções como o Prêmio Pessoa, o Médicis Étranger e o Prêmio Estatal Austríaco de Literatura Europeia. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas.
O júri do Prêmio Camões 2026 foi formado por José Carlos Seabra Pereira e Ana Mafalda Leite, de Portugal; Lucia Santaella e José Ribamar Bessa Freire, do Brasil; Lopito Feijó, de Angola; e Odete Semedo, da Guiné-Bissau.