🔓 Maria João Cantinho

Ensaio fotográfico de Maria João Cantinho
03/01/2021

A crítica ao progresso na História é a ideia de Mundo, de Walter Benjamin, que mais faz sentido para Maria João Cantinho nos dias que correm. Segundo Benjamin, a História é descontínua, marcada por períodos de maior ou menor barbárie, mais ou menos catastrófica, mas é cíclica e vê-la como um progresso contínuo da humanidade é uma falsificação do olhar histórico. Para Cantinho, estudiosa do pensador alemão, a prova disso se dá ao olhar para o retrocesso na Europa por conta da crise econômica e a sua propagação nociva às Américas populistas de Trump e Bolsonaro, e a outros cantos do planeta, onde conquistas sociais importantes foram destruídas. Mas enquanto houver poesia (há quem acredite que a arte, no geral, e a poesia, em particular, pode nos salvar), há pelo menos uma sublimação, através da palavra, deste sentir o Mundo: (…) E nada sei dessa grandiloquência// dos homens, das suas promessas// e dos gestos que traem o coração,// dessa palavra ou excesso que mata//a perfeição circular do instante. (…) (do livro Do ínfimo, de Maria João Cantinho).

Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho
Maria João Cantinho
Nasceu em 1963, em Lisboa. Doutora em Filosofia, publicou livros de poesia, ensaios e de ficção. É professora, crítica literária e ensaísta, colaborando regularmente com publicações prestigiadas como Jornal de Letras, Colóquio-Letras, entre outras. É editora executiva da revista online Caliban. Recebeu em 2017 o prémio Glória de Sant’Anna pelo livro Do ínfimo (Poesia). Em 2020 recebeu o Prémio PEN Clube Português de ensaio com Walter Benjamin, melancolia e revolução. É membro da Associação Portuguesa de Escritores, do PEN Clube Português e da Associação Portuguesa de Críticos Literários.
Ozias Filho

Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1962. É escritor, fotógrafo e editor. Publicado no Brasil e em Portugal, é autor de vários livros de poesia, entre os quais Poemas do dilúvio, Páginas despidas, O relógio avariado de Deus, Insulares, Insanos, Os cavalos adoram maçãs, O avesso da casa e Um anjo com a boca pintada de sangue. Participou em diversos festivais literários, incluindo o Folio (Festival Literário Internacional de Óbidos) e encontros promovidos pela Fundação José Saramago e pela Casa da América Latina. Vive em Portugal desde 1991.

Rascunho