Levei um susto quando, em 1998, depois do costumeiro trabalho de cortar todas as fitas e papéis que envolvem os embrulhos enviados pelo correio, me deparei com um pequeno caixão de madeira, devidamente decorado com uma cruz em sua tampa. O que, à primeira vista, parecia uma brincadeira de mau gosto, logo me fez dobrar de rir, atônita diante daquele poema-objeto que servia de invólucro para poemas avulsos que acompanhavam o Decálogo da classe média, de Sebastião Nunes, uma das vozes mais insubmissas, inventivas e radicais da literatura brasileira contemporânea.
O poeta tem agora sua Antologia mamaluca organizada pelo poeta e jornalista Fabrício Marques, que reúne a essência de uma produção poética e verbo-visual gestada à margem do mercado e das “panelinhas” literárias, ironizadas por Tião (como gosta de ser chamado) no poema Oh que estúpido que fui: a edição atual reúne mais de uma centena de trabalhos produzidos entre 1968 e 1989.
quebrei minha panelinha literária
no dia em que nasci.
voaram cacas, caquinhos e cagões
fedendo como nunca vi.
desde então
sou poeta solitário
corajoso forte e temerário
orgulhoso pra caralho
mas no borralho,
quem me empresta nova panelinha?
quero que me puxem o saco,
exijo ser chamado gênio,
preciso cagar regras.
ai que saudades de uma cagadinha
na minha literária panelinha.
Provocativos e escatológicos, com termos chulos, abusivamente irônicos, seus poemas atingem como um soco a hipocrisia, as vaidadezinhas e a mediocridade das massas anestesiadas pelo consumo. Ao implodir as fronteiras entre a palavra escrita e a artesania visual, Sebastião Nunes nega ao leitor o conforto do lirismo tradicional, produzindo um espelho distorcido, em que o riso nervoso e o incômodo são as únicas reações possíveis diante do absurdo cotidiano.
Porém, há uma melancolia lírica em seus textos. Em Serenata em B menor, a sequência de fotos de um pobre diabo morto na rua, arrastado por curiosos, é a ilustração para o verso: “até a morte é mais fácil/ na funda miséria serenal”. Em Enfisema pulmonar, um dos meus preferidos, sobre a morte de seu pai, sob a foto do progenitor repetida a cada página, lemos: (…) “1 metro e 58 e nunca confessou nada. nem a padre. nunca pediu nada. nunca aceitou nada, nem de deus.” (…) “e então é verdade: então a vida não passa disto: um sopro: um cisco no olho: um sopro: e nada”.
Humanismo radical
Levi Araújo Nunes se estabeleceu em Bocaiúva, onde seu filho Sebastião nasceu, em 1938, cidadezinha mineira lembrada no poema Procissão da chuva, que poderia ser sobre todos os sertanejos desse país enorme. Como outros poemas de Tião, este é uma impactante fábula “verbivocovisual”, termo de James Joyce do qual se apropriaram os poetas concretos para designar a experiência do poema como objeto espacial, gráfico e sonoro.
Em suas entrevistas Sebastião Nunes escancara um tremendo ceticismo quanto aos rumos da humanidade. Porém, como conclui Fabrício Marques, no posfácio de Antologia mamaluca: “No fundo, no fundo, o poeta é um humanista radical empenhado em mostrar que o cinismo, a hipocrisia, a mesquinharia e a corrupção são intrínsecas à condição humana…” De fato, ainda que sua recalcitrante rebeldia não permita filiação a nada, de sua poesia eclode um profundo humanismo, um compromisso com a causa dos oprimidos e a crítica a qualquer poder: político, econômico, midiático. Em todos os poemas de Aurea Mediocritas, em que se multiplicam os neologismos aliterativos, o tema é o poder: “A árvore do poder tem bilhares de galhes. Em cada galhe tem um macaque pendurado. (…)” Não por acaso, o percurso poético de Sebastião Nunes começou por volta de 1968, ano de inflexão política e cultural no Brasil, marcado pelo endurecimento do regime militar por meio do AI-5. Ao falar dos títulos esdrúxulos dos livros de Tião, por exemplo, Tarso de Melo reflete: “A escolha dessas patologias físicas funciona como uma metáfora crua do adoecimento do corpo social sob a ditadura e o capitalismo tardio”.
Seu humanismo aparece sobretudo no Bolero para Núbia Lafayette, do livro Poesias em estilo new romantic ou mesmo pornô nouveau, um dos poemas mais lembrados pelos que se detiveram a interpretar sua obra: “Na mesa do bar tem uma garrafa aberta. Na garrafa tem um pouco de cerveja. […] O bar também está quase vazio. Na outra cadeira está sentado um homem. Um homem sofrendo como um filhodaputa”.
Comparado a Gregório de Matos e ao Bernardo Guimarães de Elixir do pajé, livro que Tião editou, além dos contemporâneos Glauco Mattoso e Millôr Fernandes, Nunes preferiu o isolamento deliberado das cartilhas estéticas, embora preste tributo a precursores como Ascânio Lopes e Augusto dos Anjos e lembre tanto os concretos quanto os beatniks, em sua obra tão vária e singular. Preferiu não se alinhar, como seus contemporâneos, à poesia práxis, ao concretismo paulista ou, mais tarde, à chamada Geração Mimeógrafo (a poesia marginal dos anos 1970). Na época, cursava Direito enquanto ganhava a vida no mercado publicitário. Descobriu-se poeta numa noite solitária ao decidir desconstruir a própria estrutura da página, juntando texto, foto e desenhos. A publicidade foi, simultaneamente, seu ganha-pão e o objeto de sua crítica mais corrosiva. Foi dela que o autor extraiu o domínio técnico da diagramação, o uso tipográfico agressivo e a agudeza do slogan, subvertendo esses expedientes para atacar o consumo, a alienação burguesa e o autoritarismo. A sua chamada “estética de provocação” nasceu, não como um mero exercício formal de vanguarda, mas como um ato de guerrilha. Em entrevista à revista Cult, em janeiro de 2026, ele conta que chegou a experimentar prosa e poesia verbal, mas, em busca de uma voz autêntica e original, acabou juntando literatura, artes plásticas e fotografia para chegar “a essa forma híbrida”, que decidiu chamar de “poesia intersemiótica”. Em 1989, Tião decidiu deixar de escrever poesia, definindo a si próprio como um “ex-poeta”, o que, esperamos, seja apenas mais uma de suas performances. Com 87 anos, o autor professa uma máxima que serve de fio condutor para toda a sua existência criativa: “Ser rotulado é começar a morrer artisticamente”. É tendo em mente essa recusa intransigente à categorização que se deve adentrar o labirinto satírico, escatológico, erudito e profundamente visual de sua Antologia.
Margem estética
Em 1995, exultei ao receber, também pelo correio, a versão adulterada do Mais!, o principal caderno cultural da Folha de S. Paulo, enviada a um grupo seleto. Tião Nunes era o assunto de capa do falso jornal de quatro páginas, que exibia sua foto com um gato. A chamada era: “Sebunes Nastião. Em entrevista exclusiva à Folha, depois de mais um fracasso literário, o ex-poeta Sebastião Nunes diz o que pensa sobre tudo e sobre nada”, na autoironia que caracteriza seu trabalho. Muitos escritores de fora do eixo Rio-São Paulo, como eu, se sentiram vingados pela irreverência do poeta. Era quase impossível contar com resenhas dos nossos livros nesses veículos de espaço tão limitado e restrito, que obedeciam a critérios que nos escapavam. Ali apareciam alguns dos codinomes com que, não por acaso, esse multiartista assina seus livros: Sebunes Nastião, Bastião Num, Senião Bastunes, Bastunes Ião, Sebastião Nuvens, Bastião Nu, etc.
A Folha de S. Paulo, porém, não achou graça naquela “cópia-paródia graficamente fiel” e lhe enviou uma carta, ameaçando processá-lo. Clarice Lispector o procurou ao receber seus textos, convidou-o a visitá-la, e os dois trocaram cartas. Ela escreveu ao jovem Sebastião Nunes, aconselhando-o a escrever para um “outro”, como havia escrito a ela própria, Clarice: “(…) nessa carta você, tendo o ‘outro’, me atingiu como uma seta atinge o alvo”. Na entrevista concedida à Cult, Tião Nunes comenta esse encontro:
Diante do estilhaçamento provocado pela internet e de tanto foguetório midiático, a literatura perdeu não só a aura, mas também a importância. Quem hoje fica boquiaberto diante de um escritor, como cheguei a ficar diante de Clarice Lispector, por exemplo? Ninguém. A não ser os simples de espírito diante dos famosos da música e da TV. Assim, o poeta marginal sossegou o rabo e se tornou um velhinho recluso, a cada dia mais velho e mais recluso.”(…) “No fundo, o que sou mesmo é humorista.
Como reflete Fabrício Marques, “sempre com algum grau de agressividade, embalou seus poemas construídos com textos e imagens, uma mistura que sugere que o grotesco pode ter sua porção de lirismo, uma montagem sem floreios de escatologia, sátira, ironia, escracho e humor, a parafernália gráfica unindo na mesma página versos rudes e diretos a fotos, ilustrações, colagens e montagens. Tudo feito do início ao fim por ele, desde a criação dos poemas até o domínio de todo o processo de programação visual, edição e acompanhamento gráfico”.
Sua experiência como editor, sobretudo na Dubolso, criada por ele e sua companheira Zelinha, em 1980, mereceria outro ensaio. O termo que cunhou, “Estética da Provocaçam”, define bem sua poética, sempre “buscando caminhos cruzados entre o livro e o cartaz, o poema e a colagem, a brochura e o envelope, a língua oficial e o baixo calão, a lucidez e a loucura”, segundo Tarso de Melo. Essa poética visual apoia-se fortemente no uso do paste-up, do clipping, de fotocópias (xerox), de colagens sobrepostas a fotografias e anúncios publicitários.
Pilhagem gráfica
Conforme estudo de Fabrício Marques para a Intercom, a produção que originou Antologia mamaluca “valia-se do recolhimento de materiais anônimos dispersos em catálogos de laboratórios, enciclopédias antigas, jornais e revistas norte-americanas de variedades. Ao se apropriar desse lixo semiótico da sociedade industrial, o poeta operava um desvio (détournement). O texto poético recontextualizava o apelo visual do consumo em denúncia ácida”. Nunes criou, segundo Fabrício, uma verdadeira “estética da pilhagem”. Mais do que versos para serem lidos, suas obras são estilhaços gráficos que violentam a linearidade da página em branco, transformando o deboche em uma sofisticada — e necessária — ferramenta de guerrilha cultural. Ele trabalha subvertendo lugares-comuns, juntando textos e imagens capturados nesses veículos de outros tempos. Como escreveu Tarso de Melo, “tudo é estranhamente velho e novo, tudo é vivo e ácido, porque Sebastião trabalha subvertendo e corroendo, deslocando e colocando em choque. Por trás de uma estrofe, vem uma rasteira; sob uma bela capitular, esconde-se um escândalo; à sombra da epígrafe, a falsificação mais descarada”.
De fato, Nunes mesmo afirma: “Sou um falsificador nato. Que diferença faz quem disse isto ou aquilo? Se entrou na moda por causa da internet não é culpa minha”. Tião atribui epígrafes e citações inventadas a escritores clássicos, sem o menor pudor, zombando da reverência com que são cultuados e, ao mesmo tempo, prestando-lhes tributo ao lhes atribuir corrosivos juízos, não apenas sobre o mundo, mas sobre si próprio, sobre sua ousadia em se dedicar à poesia, ato que contradiz seu ceticismo radical. Em Blablablá ecumênico, Homero, por exemplo, teria dito:
Desde que fiquei cego tento visualizar um pobre rapsodo de um pobre país, projetado bem para o futuro e para um tempo de quase absoluta indigência mental. Três milênios, digamos. Imagino às vezes que a esse pobre rapsodo está reservado apenas um destino inverso ao meu: o de desagradar simultaneamente a gregos e a troianos.
Sua insistência em fazer poesia é um dos temas que mais recebe as estocadas do seu afiado punhal, como em Arte poéteca, que também figura em A velhice do poeta marginal:
bem no fundo da biblioteca
morava horrível poeta deebiloide.
rimava fungo com resmungo
mofo com estofo
podridão com escuridão.
guardava seus poemas numa mala velha.
esquentava a sopa numa lata velha.
amava, quando amava, uma puta velha.
A ironia recrudesce no visceral poema O fel do esforço:
Então fiz o que faz todo poeta grosso
(depois de roer o coração até o oss)
(depois de mergulhar em bosta até o pescoç)
(depois de raspar a vida até o caroç):
escrevi a merda deste poema insosso.
Palavra sabotada
São divertidos também os atributos do poeta, em Finis Operis: “o poeta como divindade”, “o poeta como herói” etc. Para compreendê-los, é preciso comprar o livro e degustar as imagens que acompanham essas definições.
A palavra poética é descascada por ele, em uma ostensiva zombaria quanto ao seu poder edificante ou estético. É o que se percebe ao ler o surpreendente trecho em prosa do Livro dos sonhos”, em que, em vez de frutos, uma árvore dá palavras que servem para comer, mas com um trágico desfecho. Como analisa Gustavo Silveira Ribeiro, “sua forma fundamental é a sabotagem dos discursos estabelecidos, trabalho que se faz ao mesmo tempo pela destruição do que existe e pela invenção de novas e inesperadas maneiras de articular a linguagem”.
No livro Poesias em estilo new romantic ou mesmo pornô nouveau, vemos o lírico poema Epígrafe interessantíssima:
Muita gente tem medo de assombração.
Muita gente tem medo de ladrão.
Muita gente tem medo de avião.
Muita gente tem medo até de palavrão.
Mas como o assunto aqui é literatura
(esse perfumado aborto da cultur)
(essa sutilissima câmara de tortur)
esse tresloucado gesto de ternur)
desculpem a falha técnica da escritura.
Classe atacada
A classe média consumista, egoísta e conservadora, apoiadora de golpes no Brasil, foi um dos temas mais atacados por Tião, em suas cáusticas criações, inclusive ao criar um caixão para ela, como contei no início deste ensaio. Batizou de “Inclames” os indivíduos da classe média, segundo Tião, “uma figura universal. Um estado de espírito de quem porta uma ostentação de valores e comportamentos típicos. Uma aceitação absoluta do mundo individualista, do ‘paraíso’ vendido pela publicidade e pelos meios de comunicação social de massa”. Os desenhos que acompanham a descrição do “Inclame” mostram um perfil com um cérebro sendo progressivamente ocupado por ratos. Essa imagem encontra variações em A cidade de Deus, em que um rato devora um cérebro ou as linhas do desenho de uma cabeça. Os livros Sacanagem pura e Somos todos assassinos, dedicados a achincalhar a publicidade, são um manifesto libertário diante dessa massificante sociedade de consumo. Em Sacanagem pura, o ex-publicitário Sebastião Nunes comenta e critica minuciosamente anúncios de diferentes empresas e organismos, mostrando sua face hipócrita, espúria e manipuladora. O outro livro, publicado na mesma brochura, mas de cabeça para baixo, genial diagramação do poeta, é uma novela com imagens falando dos bastidores e criações da STA, a agência de publicidade que leva o nome revelador de Somos todos assassinos. Na última página do livro, a manchete em diagonal: STA. A AGÊNCIA DO ANO, acompanhada da foto de uma ratoeira. Talvez justamente por sua recusa a pertencer a grupos, até mesmo o Movimento Negro, quase não haja, na obra do poeta, referências à negritude, mas na STA se encontra um comentário sobre o tratamento dispensado ao negro na publicidade. O título é Veja que belo negrinho lá no fundo do anúncio, seguido do texto:
O negro não existe no universo feliz da publicidade brasileira. Voltada para a conquista da classe média urbana branca, a publicidade reflete o orgulho racista que lateja no fundo da alma dos conquistadores brancos. Por isso, seu ícone favorito é branco, orgulhoso, bonito e feliz.
É a essa classe média racista, moralista e pobre de espírito que se choca com um de seus poemas mais iconoclastas, o hilário O fim da picada, frequentemente mencionado pela crítica, que ficou de fora da atual edição da antologia:
enquanto o poeta mijava, o caralho soltou-se, caindo dentro do vaso. com um pedaço de arame grosso, o peota tentou espetá-lo, mas o escorregadio caralho afundava cada vez mais. quando apenas a sombra boiava, o peato irritou-se de verdade e, comprimindo com força o botão de descarga, mandou o caralho pra puta que o papariu.
História indócil
Ele direciona seu humor cáustico também contra os intelectuais:
Nos campos do poder os intelectuais pastam. Abanam os rabos. sacodem as orelhas. de cabeça baixa arrancm feixes de capim. Mastigm lentamente. A baba escorre. De vez em quando os intelectuais suspirm. Os grandes olhos passeiam pelo horizonte. Alguma coisa está errada nisto tudo. Que foi que esquecems? Onde foi que mudams?
Gustavo Silveira Ribeiro lembra a liberdade radical de Sebastião Nunes, para quem “não há modelos a seguir, assim como não há chefes a obedecer nem público a agradar. O texto e o poeta querem ser ingovernáveis.” (…) “A rebelião formal conduzida por Sebastião Nunes por meio da fragmentação, do deboche gráfico, do uso de fontes tipográficas díspares e da destruição da linearidade da leitura não é um mero capricho ornamental: ela é a própria tradução de seu inconformismo político.” Esse inconformismo aparece em sua incomparável História do Brasil, em que eventos e personagens históricos, dispostos em verbetes sem ordem cronológica, recebem leituras inusitadas e ganham vozes que exprimem ideias paradoxais, como fantasmas se levantando do túmulo e reagem, de forma idiossincrática e engraçada, às imagens em que foram aprisionados por uma historiografia supostamente compromissada com a verdade. As citações, extraídas de livros ou inventadas, competem em pé de igualdade com os verbetes, em um diálogo deliciosamente absurdo. Leitor inveterado, Tião resgata pérolas do esquecimento, como passagens incríveis de Antonil, conhecidas hoje apenas por historiadores. Os verbetes alcançam, por vezes, alta voltagem poética, como neste, sobre a abertura dos portos:
E aquelas longas viagens, de tantos dias, ou meses, ou ainda anos, eram apenas recompensadas por fugazes momentos de delírio e prazer convulso. Mas eram tais bens, ainda, como a fênix lendária, que renascia das próprias cinzas, pois apenas consumidos entre o suor e os gemidos de gozosos trabalhos, dissipando-se como fumo, logo novamente, e após um anódino momento, se ofereciam, luminosos e ardentes portos, à visitação dos viajantes sequiosos de suas belezas — e era esse seu irresistível encanto: a intermitente eternidade do gozo
A obra de Sebastião Nunes zomba das pretensões intelectuais, expõe as chagas abertas da nossa desigualdade histórica e devolve à poesia a sua perigosa e saudável função de perturbar o comodismo do leitor. Antologia mamaluca resgata essa produção literária de circulação antes restrita e o público leitor ganha acesso definitivo ao laboratório de um artista indomável que escolheu rir do abismo para não ser devorado por ele.