23 de abril, dia de São Jorge. Conheço quatro pessoas que nasceram nesse dia e, por isso, têm Jorge como segundo nome.
Ontem, 526 anos atrás, a 24 km da costa brasileira, não um Jorge, mas um certo Pedro soltou âncoras. As naus de Cabral eram da mais alta tecnologia e, além das velas latinas (triangulares) para momentos de vento contra, tinham também a vela redonda (que era quadrada), para maior velocidade. Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama tinham em comum mais do que o idioma. Tinham também o mesmo piloto, Pero Escolar. Reza a lenda de que Cabral era inexperiente e só conseguiu chegar aqui graças ao Escolar. A indicação de Cabral para a missão é um mistério até hoje. A armada era enorme, composta por 13 naus e 1.500 homens, representando quase 3% da população de Lisboa na época.
Os portugueses chegaram e foram logo querendo ficar. Existem registros de que cinco desertaram da armada de Cabral para não precisar voltar para aquele lugar lá do outro lado do Atlântico, com inverno e sem goiabas.
Voltando aos Jorges, uma das coisas que mais me diverte é saber que há catedral de São Jorge até em Istambul, na Turquia. Fala sério, isso que é popularidade. Diz a internet que São Jorge é santo padroeiro na Inglaterra, Geórgia, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia, Catalunha e Portugal. Além das cidades Londres, Barcelona, Gênova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo, Moscou e Beirute.
Jorge da Capadócia, nos lembra Jorge Ben Jor, outro Jorge. Capadócia fica na Turquia, mais um país aí pra listinha. Ando precisando vestir as roupas e as armas de Jorge. Porque, olha, ou é isso ou é perder o réu primário.
Para tentar recuperar um pouco da sanidade mental que me escapa pelos dedos por conta de excesso de trabalho, decidi dar uma parada de verdade no feriadão. Digo, de verdade do trabalho formal. Tentei adaptar a técnica de cianotipia para funcionar dentro de uma câmera pinhole. Não deu certo. Ou melhor, não deu certo ainda. Sou uma otimista por natureza.
Foi uma cientista botânica que realmente desenvolveu a técnica azulzinha. O pai de Anna Atkins (1799-1871) era amigo do Talbot (1800-1877), um desses nomes que abrem capítulos nos livros de História da Fotografia.
Passei o sábado sensibilizando papéis. No domingo, desci sei lá quantas vezes com Nina Simone, latas, caixas e outros experimentos. Nada deu certo. Nada.
Conto isso para vocês por dois motivos. O primeiro é que, volta e meia, me perguntam como eu faço tanta coisa diferente. A resposta é loucura, falta de juízo e distração. O segundo é para mostrar para vocês que um feriado de total e absoluto fracasso também faz bem de vez em quando.
Nina achou o feriado um absoluto sucesso e espera que, no próximo, eu também invente algo para fazer (?) por horas e horas, parada no parque, olhando para uma lata velha.