Jantando amendoim com café. Não me julgue. Ou julgue, não ligo.
Dia das mães. Adoro que o corretor ortográfico do Word quer colocar “mães” capitalizado, “Mães”. Amigo, não. Só não. Nem quando tinha mãe viva, eu gostava dessa data.
Filho, gentil como sempre, é o responsável pela minha sobrevivência. Conseguimos, ambos, passar por essa data horrível vivos e com, ainda-talvez, alguma saúde mental.
O dia das mães de 2026 foi no dia seguinte ao lançamento do meu livro de crônicas Quando cheguei (Caos & Letras). O lançamento foi um sucesso. Só sobraram seis dos livros enviados para o evento e um monte, um monte mesmo, de gente querida e importante foi me prestigiar.
Filho, guerreiro e companheiro, ficou responsável pelos registros fotográficos. Se somasse a bateria social de ambos, não dava a temperatura de Urano.
O que me lembra: prestigiar é dar prestígio a algo. Então, quando quem recebe diz que foi prestigiado, é um agradecimento. Nunca, nunca mesmo, fale que vai a algum evento para prestigiar alguém. É arrogante no último. Quer dizer que você, ó iluminado vitaminado cheiroso gostoso poderoso última coca-cola gelada no deserto vai engrandecer o outro com a sua presença. Pode até ser verdade, mas é indelicado falar uma coisa dessas.
Voltando. O lançamento. Não só lancei o livro na véspera do dia das mães, como lancei o livro no dia do show do Djavan aqui em São Paulo. Perdi feio. O que só faz com que eu tenha ainda mais amor por quem foi.
Dia das mães moroso, lento, cansado. Filho e eu doloridos, exaustos, chumbados, surrados. Mãe com miosan.
Tem uma coisa nessas datas fictícias comerciais que acaba comigo. Isso e burocracia. Levanto uma parede com mais ânimo do que preencho um formulário. Pra mim, Natal, dia das mães, fila do Detran e imposto de renda têm mais ou menos o mesmo sex appeal.
Daí tem uns dias, sabe, que tudo que dá pra fazer é amendoim com café. Qualquer coisa que exija um pouco mais de esforço desanima. Sim, eu conheço aplicativo de comida. Requer que eu desça para buscar na garagem. Por nada desse mundo. Sim, eu conheço comida congelada. Idem.
Vitaminas do complexo B, vitamina E, aminoácidos embalados em uma casquinha crocante e salgada. Pô, fala sério. Tudibom.