Marina sabe que seus dias estão contados. Poeta e militante perseguida pela ditadura militar, ela vive numa quitinete, cercada por livros, lembranças fragmentadas e pela expectativa da repressão. Em seus últimos sete dias, passado e futuro se confundem, enquanto fatos, vozes e tempos avançam em espiral. Entre as leituras da personagem estão Zero, Dentro da noite veloz e Lavoura arcaica, obras publicadas no Brasil em 1975 e incorporadas à composição do romance. Estreia de Cristiano Santiago Ramos na prosa longa, Mil novecentos setenta cinco transforma o ano do tÃtulo em data e contagem regressiva. Ao acompanhar Marina, o livro percorre as marcas da violência polÃtica nos corpos, nos afetos e na memória. Pernambuco atravessa a narrativa por meio de recordações da infância, engenhos decadentes, casas antigas e espaços urbanos. Entre relato, delÃrio e poesia, o romance revisita a ditadura a partir de uma experiência Ãntima e feminina. Mais do que reconstruir um perÃodo histórico, a obra se volta para aquilo que permanece depois do desaparecimento, do medo e do silêncio — e para as sombras do autoritarismo que ainda alcançam o presente.