Nascida em uma família miserável de um vilarejo da Sicília no início do século 20, Modesta fica órfã aos nove anos e é enviada a um convento. Inteligente, obstinada e pouco disposta a aceitar o destino que lhe reservam, aprende a observar as relações de poder e a usar as oportunidades que surgem para conquistar autonomia. Sua trajetória a leva da pobreza à aristocracia, até se tornar princesa, sem que abandone a disposição de desafiar convenções. Ao longo de décadas, vive amores com homens e mulheres, experimenta a maternidade, a perda e a prisão e atravessa momentos decisivos da história italiana, entre eles a ascensão do fascismo.
Escrito ao longo de vários anos e concluído na década de 1970, A arte da alegria enfrentou sucessivas recusas de grandes editoras italianas antes de alcançar reconhecimento internacional. Goliarda Sapienza acompanha quase todo o século 20 pelos olhos de uma protagonista que confronta a moral religiosa, as estruturas patriarcais e as expectativas impostas às mulheres. Romance de formação, narrativa política e história de descoberta sexual se combinam num amplo painel da Itália moderna, tendo a liberdade como eixo da vida de Modesta. Atriz de teatro e cinema antes de se dedicar à literatura, Sapienza construiu uma personagem movida pela recusa da submissão e pela busca de uma existência guiada por regras próprias.