Nesta semana, por meio de suas Comissões Especiais de Cultura e Arte e de Direitos Autorais, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) publicou uma nota de repúdio ao projeto de reforma tributária que prevê novas taxas sobre a venda de livros no Brasil.
Em documento sobre a reforma tributária publicado nesta semana, a Receita Federal afirma que pessoas mais pobres não consomem livros não didáticos e defende que os produtos sejam tributados conforme projeto de reforma enviado ao congresso em 2020.
“De acordo com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2019, famĂlias com renda de atĂ© dois salários mĂnimos nĂŁo consomem livros nĂŁo didáticos e a maior parte desses livros Ă© consumida pelas famĂlias com renda superior a dez salários mĂnimos”, diz o documento.
Em julho do ano passado, o governo entregou ao Congresso uma proposta de reforma tributária que prevĂŞ a criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), alĂquota de 12% que incidiria em diversas operações.
O livro não foi listado entre as isenções, contrariando o entendimento da Constituição de 1988, que garante a imunidade tributária ao livro, e a decisão de 2004 que desonerou o livro das contribuições de PIS e Cofins.
“Com a instituição do tributo, os livros ficariam mais caros e inacessĂveis, inviabilizado o trabalho de muitas editoras, autores, artistas gráficos, ilustradores, livrarias e toda a cadeia produtiva. AlĂ©m disso, diminuiria, ainda mais, o acesso Ă cultura e Ă educação em um paĂs com tantas desigualdades. É o caminho do subdesenvolvimento”, destaca a nota da OAB.