Jacques Rancière analisa a proposta estética da literatura moderna

“As margens da ficção” mostra que autores como William Faulkner, Virginia Woolf e Guimarães Rosa subverteram o modo tradicional de contar histórias
Jacques Rancière, autor de “As margens da ficção”
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20/05/2021

Nas análises que compõem o livro As margens da ficção, lançado pela Editora 34, Jacques Rancière mostra que autores como William Faulkner, Virginia Woolf e Guimarães Rosa subverteram o modo tradicional de contar histórias.

Caminhando na contramão do modelo aristotélico de criar narrativas ordenadas com começo, meio e fim, a literatura de ficção moderna parece se ocupar com as miudezas do dia a dia e seus personagens anônimos.

Para Rancière, o modelo grego, que guia também a maneira de se produzir conteúdo dentro das ciências humanas, só serve para uma “ínfima parcela dos seres humanos”. O mais comum, afinal, é que os dias se repitam, sem que haja o encadeamento lógico de acontecimentos proposto pela literatura.

As Primeiras estórias de Guimarães Rosa, por exemplo, são classificadas como “fábulas experimentais do nada e do quase nada, do alguém e do ninguém”, nas quais o pensador francês vê “o lugar paradoxal da ficção, o lugar sem história onde as histórias podem desabrochar”.

Nascido em Argel, em 1940, Rancière lecionou Estética e Política por mais de 30 anos na Universidade de Paris VIII — Vincennes/Saint-Denis. Aisthesis: cenas do regime estético da arte (2011), O inconsciente estético (2001) e A partilha do sensível (2000) são algumas de suas publicações.

As margens da ficção
Jacques Rancière
Trad.: Fernando Scheibe
Editora 34
176 págs.

Rascunho

Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

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