Poemas de Santiago Montobbio

Leia os poemas traduzidos "Póstumo", "Desde minha janela sombria", "Na garrafa do náufrago", e "Do tempo novo"
Santiago Montobbio, autor de “El anarquista de las bengalas”
01/08/2007

Tradução de Fernando Fábio Fiorese Furtado

Póstumo

De todos mis amigos
yo tuve la muerte más extraña:

con el alma dislocada
fui silencio por la página.

Póstumo

De todos os meus amigos
tive a morte mais estranha.

com a alma deslocada
fui silêncio pela página.

Desde mi ventana oscura

La ciudad que nadie ve, y es la más grande,
es en la que trabajan y están condenados
a ser siempre iguales
todos mis nadies.

Desde minha janela sombria

A cidade que ninguém vê, e é a maior,
nela trabalham e estão condenados
a ser sempre iguais
todos os meus ninguéns.

En la botella del náufrago

Lo escribo por si a alguien le ayuda:
esto no es un poema, tampoco es una elegía,
sencillamente esto no es más que aceptar
el inevitable fracaso que espera
a quien inicia en las palabras
su oscura travesía.

No otra cosa tenemos, nada más nos queda.

Na garrafa do náufrago

Escrevo para o acaso de ajudar alguém:
isto não é um poema, tampouco uma elegia,
trata-se simplesmente de aceitar
o inevitável fracasso que espera
aquele que inicia nas palavras
a sua obscura travessia.

Não temos outra coisa, nada mais nos resta.

Del tiempo nuevo

Saca el agua o el pequeño cielo
que aún conservas en los dedos.
Pues me han dicho que volverá a haber tiempo
para morder la niebla.

Do tempo novo

Tira a água ou o pequeno céu
que ainda conservas nos dedos.
Pois me disseram que haverá tempo
para morder a névoa.

Santiago Montobbio
Nasceu em Barcelona, em 1966. Licenciado em direito e filologia hispânica pela Universidade de Barcelona, é professor de teoria da literatura da Universidade Nacional de Educação a Distancia. Seu livro, Hospital de inocentes (Madrid, 1989), mereceu o reconhecimento de autores como Juan Carlos Onetti, Ernesto Sabato, Miguel Delibes e Camilo José Cela. Publicou também Ética confirmada (Madrid, 1990), Tierras (França, 1996), Los versos del fantasma (México, 2003) e El anarquista de las bengalas (Barcelona, 2005).
Fernando Fábio Fiorese Furtado
Rascunho