é isso
não é aquilo
aqui é agora
lá é longe demora
nem rola outra hora
é assim
só pra mim?
sim nunca é fim
vi me perdi mas vim
e já vou embora
…
a guerra
começa hoje —
não me preparei
a derrota é certa
cor de terra
e tempestade
não respeito o
inimigo quando
penetra
incendeio o
campo de batalha
minha carne
…
domino o jogo da espera
como grandes bocados
de dias mastigando
lentamente
danço com o tempo
tecendo o infinito
com os riscos
dos passos
…
varo a cidade
fantasma
a assustar
pessoas com olhares penetrantes
em calçadas estreitas
ruas desertas
— tal o negror
da noite
…
na sala de cinema
eu esperava tanto pela sua
mão
que a minha atraísse
com ruminação de falanges
um deslize seu no rastro
de luz pipoca jeans
pois a minha
nunca me mexia em direção à sua
parada à espera
mas veio esse dia
pousou segura
na exatidão
do clímax
retido assim num entrelace
desdobrando cada segundo
cobrindo o espaço de tempo
em que os dedos não foram juntos
até suarmos grudando sem jeito
para a metonímia das palmas em separação
no fim dessa que foi a nossa
última sessão
…
chega o final
de semana
e a preguiça
de ser carnal
só na cama
o filme o cobertor
e minha tigela
de mingau