Poemas de E. E. Cummings

Leia seis poemas do autor que gostava de fazer experimentos com tipografia e distribuição gráfica dos versos na página, o que não o impedia de criar versos bastante líricos
Ilustrações: Eduardo Mussi
01/06/2026

1.
yes is a pleasant country:
if’s wintry
(my lovely)
let’s open the year

both is the very weather
(not either)
my treasure,
when violets appear

love is a deeper season
than reason;
my sweet one
(and april’s where we’re)

[De One Times One]

1.
sim é um país agradável:
se invernal
(minha amada)
vamos começar o ano

ambos o próprio clima é
(nem um nem outro)
meu tesouro,
quando aparecem as violetas

o amor é uma estação mais profunda
do que a razão;
minha doce
(e abril é onde estamos)

2.
true lovers in each happening of their hearts
live longer than all which and every who;
despite what fear denies,what hope asserts,
what falsest both disprove by proving true

(all doubts,all certainities,as villains strive
and heroes through the mere mind’s poor pretend
—grim comics of duration: only love
immortality occurs beyond the mind)

such a forever is love’s any now
and her each here is such an everywhere,
even more true would truest lovers grow
if out of midnight dropped more suns than are

(yes;and if time should ask into his was
all shall;their eyes would never miss a yes)

[De One Times One]

2.
verdadeiros amantes em cada evento de seus corações
vivem mais do que tudo e todos quem;
apesar do que o medo nega,do que a esperança afirma,
o que é mais falso ambos renegam provando ser verdadeiros

(todas as dúvidas,todas as certezas, enquanto vilões lutam
e heróis através da pobre ilusão da mente
— histórias sombrias da duração: somente o amor
a imortalidade acontece além da mente)

uma tal eternidade é o amor em qualquer agora
e cada um aqui dela é tal em todo lugar,
ainda mais verdadeiros se tornariam os verdadeiros amantes
se da meia-noite caíssem mais sós do que há

(sim;e se o tempo perguntasse em seu foi
todos hão de;os olhos deles jamais perderiam um sim)

3.
love is the every only god

who spoke this earth so glad and big
even a thing all small and sad
man;may his mighty briefness dig

for love beginning means return
seas who could sing so deep and strong

one queerying wave will whitely yearn
from each last shore and home come young

so truly perfectly the skies
by merciful love whispered were,
completes its brightness with your eyes

any illimitable star

[De 50 Poems]

3.
O amor é todo e o único deus

quem falou a esta terra tão alegre e vasta
até mesmo a algo tão diminuto e triste
o homem;que sua poderosa brevidade escave

em busca de amor começando significa a volta
de mares que poderiam cantar tão profunda e forte

uma onda de questionamento brancamente ansiará
de cada última costa e lar virá jovem

tão verdadeiramente perfeitos os céus
pelo amor misericordioso aqui sussurrados,
completam os brilhos que têm com seus olhos

qualquer ilimitável estrela

4.
when life is quite through with
and leaves say alas,
much is to do
for the swallow,that closes
a flight in the blue;

when love’s had his tears out,
perhaps shall pass
a million years
(while a bee dozes
on the poppies,the dears;

when all’s done and said;and
under the grass
lies her head
by oaks and roses
deliberated.)

[De Tulips & Chimneys]

4.
quando a vida se acabou de vez
e as folhas disserem infelizmente
há muito o que fazer
para a andorinha,que encerra
um voo no azul;

Quando o amor deixa escorrer as lágrimas,
quem sabe passem
um milhão de anos
(enquanto uma abelha cochila
nos crisântemos;os queridos;

quando tudo tiver sido feito e dito;e
sobre a relva
repouse a cabeça dela
entre carvalhos e rosas
deliberadas.)

5.
maybe god

is a child
‘s hand)very carefully
bring
-ing
to you and to
me(and quite with
out crushing)the

papery weightless diminutive

world
with a hole in
it out
of which demons with wings would be streaming if
something had(maybe they couldn’t
agree)not happened(and floating-
ly int

o

[De XAIPE]

5.
talvez deus

seja a mão
de uma criança)trazen
do cuidadosamen
-te
para você e para
mim(e sem
esmagá-la)o

mundo muito leve como

papel
com um buraco
de onde
demônios com asas estariam jorrando se
algo(talvez eles não pudessem
concordar) não tivesse acontecido(e flutuan-
do par

a

6.
i thank You God for most this amazing
day:for the leaping greenly spirits of trees
and a blue true dream of sky:and for everything
which is natural which is infinite which is yes

(i who have died am alive again today,
and this is the sun’s birthday:this is the birth
day of life and of love and wings:and of the gay
great happening illimitably earth)

how should tasting touching hearing seeing
breathing any—lifted from the no
of all nothing—human merely being
double unimaginable You?

(now the ears of my ears awake and
now the eyes of my eyes are opened)

[De XAIPE]

6.
agradeço-Te, Deus, por este mais maravilhoso
dia:pelos vibrantes verdejantes espíritos das árvores
e por um sonho azul e verdadeiro do céu:e por tudo
que é natural, que é infinito, que é sim

(eu, que morri, estou vivo novamente hoje,
e este é o aniversário do sol:este é o nasci
mento da vida e do amor e das asas:e da alegre
grande maravilha ilimitada da terra)

como poderia provar tocar ouvir ver
respirar qualquer coisa — elevada do não
de todo o nada — ser humano meramente
duplamente inimaginável Tu?

(agora os ouvidos dos meus ouvidos despertam e
agora os olhos dos meus olhos se abriram)

E. E. Cummings
Nasceu em Cambridge (Massachusetts), em 1894. Foi um dos principais nomes da poesia norte-americana do século 20. Gostava de fazer experimentos com tipografia e distribuição gráfica dos versos na página, o que não o impedia de criar versos bastante líricos. Estudou em Harvard e serviu, na Primeira Guerra na Europa, como motorista de ambulância. Morreu em 1962, aos 67 anos, em New Hampshire, não muito longe de onde nasceu.
André Caramuru Aubert

Nasceu em 1961, São Paulo (SP). É historiador formado pela USP, editor, tradutor e escritor. Autor de Outubro/DezembroA vida nas montanhasCemitérios, Exílio, entre outros.

Rascunho