A estranha vida da senhora Z. Rogério Pereira Curitiba – PR A senhora Z. perdeu todos os dentes. Ganhou uma incômoda dentadura. Os filhos cresciam. Os dentes caíam Edição 163, Novembro de 2013, Rogério Pereira
Dias frios se aproximam Rogério Pereira Curitiba – PR A neve é branca. A morte é roxa. A mãe está no caixão. Mãos cruzadas sobre o peito — o óbvio gesto final Edição 162, Outubro de 2013, Rogério Pereira
Um bom dia para lavar roupas Rogério Pereira Curitiba – PR “Mais uma vez a morte entrou pela porta da frente, escancarou as cortinas e deitou-se no colchão de pouca espessura. A mãe está morta.” Edição 161, Rogério Pereira, Setembro de 2013
Minha escritora Rogério Pereira Curitiba – PR “A traqueostomia abandonou na sala de casa um gramofone quebrado da marca Mãe. Está voltando a uma infância inexistente, perdida na roça. O mundo é silêncio e solidão.” Agosto de 2013, Edição 160, Rogério Pereira
Carta a Deus Rogério Pereira Curitiba – PR Não sei por onde o senhor anda. É difícil encontrá-lo. Mas não se pode perder a esperança. A mãe vive pelos cantos em busca da sua ajuda Edição 159, Julho de 2013, Rogério Pereira
Andorinhas sempre nos observam Rogério Pereira Curitiba – PR O pó se acumula com facilidade. Passo o pano com atenção nos cantos. De onde vem tanto pó? Edição 158, Junho de 2013, Rogério Pereira
Leão-marinho encalhado Rogério Pereira Curitiba – PR Encontramos o pai estirado no chão de terra. A boca virada para baixo. A poeira aspirada com sofreguidão Edição 157, Maio de 2013, Rogério Pereira
O louva-a-deus reza Rogério Pereira Curitiba – PR A mãe acredita em Deus. Ao pé da escada, o corpo retorcido acaricia as páginas da Bíblia. Deus está em algum lugar ali dentro Abril de 2013, Edição 156, Rogério Pereira
Dr. Arno e meus 40 anos Rogério Pereira Curitiba – PR Na segunda-feira passada, completei quarenta anos. Para comemorar, levei a mãe ao oncologista. Sempre que o rosto ganha uma cor indefinida Edição 155, Março de 2013, Rogério Pereira
A casa é de tijolos Rogério Pereira Curitiba – PR A mãe sempre sorri quando me encontra. Não sei se de felicidade por constatar que ainda estou vivo Edição 154, Fevereiro de 2013, Rogério Pereira