Tegucigalpa Rogério Pereira Curitiba – PR O mundo cabe em nosso carro. Carregamos as histórias em meio ao trânsito lento. Ruidosos, as mochilas estufadas, eles estão entre as outras crianças. Cada um reage de maneira distinta a minha chegada Edição 182, Junho de 2015, Rogério Pereira
O pequeno argelino Rogério Pereira Curitiba – PR Algumas batalhas são vencidas com dois picolés de chocolate. Nada sabíamos sobre a Argélia. Não falávamos árabe, berbere ou francês. Éramos mudos numa algazarra Edição 181, Maio de 2015, Rogério Pereira
Sapatos de Surfista Rogério Pereira Curitiba – PR Sapatos sem cadarço saem do pé. É preciso amarrá-los com firmeza. Acho que nunca foi moda tirar o cadarço do sapato. Mas não tenho certeza. O mundo da moda sempre me ignorou Abril de 2015, Edição 180, Rogério Pereira
O arco-íris de ponta-cabeça Rogério Pereira Curitiba – PR Sou daltônico. O mundo me parece quase sempre um lugar desbotado, um vidro fosco, uma incômoda lente de contato. Pretendo escrever um livro com minha filha. Ela tem oito anos Edição 179, Março de 2015, Rogério Pereira
Dizem que o abacate é verde Rogério Pereira Curitiba – PR A velha igreja foi derrubada. Em seu lugar, uma nova casa para Deus, cuja torre acaricia as barbas de São Pedro Edição 178, Fevereiro de 2015, Rogério Pereira
O menino do dedo torto Rogério Pereira Curitiba – PR M. era preto e forte. Recostado à parede, dormia com frequência. O corpo ereto. A professora ralhava. Os colegas brancos ríamos do susto de M. pego em flagrante nas manhãs insones em sala de aula Edição 177, Janeiro de 2015, Rogério Pereira
Duas avós Rogério Pereira Curitiba – PR Crônica de Rogério Pereira Dezembro de 2014, Edição 176, Rogério Pereira
Chove em Frankfurt Rogério Pereira Curitiba – PR Crônica de Rogério Pereira Edição 175, Novembro de 2014, Rogério Pereira
A mulher no sofá Rogério Pereira Curitiba – PR Nunca esqueci aquele olhar. Oscilava, fixo por segundos intermináveis, entre o chão frio e um ponto no horizonte inexistente. Edição 174, Outubro de 2014, Rogério Pereira
Na caixa de sapatos Rogério Pereira Curitiba – PR A mãe lia a Bíblia com a ponta dos dedos. Tateava as letras em busca de alguma salvação, de um significado. Os dedos, sempre lentos, grossos, pesados sobre o papel fino, quase transparente Edição 173, Rogério Pereira, Setembro de 2014