🔓 Prêmio Biblioteca Nacional divulga vencedores de 2026

Paulliny Tort, Maria Valéria Rezende e Adélia Prado estão entre os premiados; Roger Mello e Lulu Lima vencem nas categorias juvenil e infantil
Paulliny Tort, autora de “Os imortais” Foto: Renato Parada
20/10/2026

A Fundação Biblioteca Nacional divulgou nesta terça-feira (20) os vencedores do Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2026. Entre os principais premiados estão Paulliny Tort, na categoria romance, Maria Valéria Rezende, em conto, e Adélia Prado, em poesia. A premiação contempla 13 categorias, com R$ 30 mil destinados ao primeiro colocado de cada uma.

Na categoria romance, que corresponde ao Prêmio Machado de Assis, a vencedora foi Os imortais (Fósforo), de Paulliny Tort. O livro acompanha um grupo de neandertais que atravessa um território hostil, marcado pela escassez, pela violência e pelo encontro com outros grupos. A narrativa explora questões relacionadas à sobrevivência, à linguagem e à experiência humana.

A escritora foi entrevistada por Rogério Pereira no Rascunho, na edição de maio deste ano, quando falou sobre a construção do romance e seu processo criativo.

O segundo lugar na categoria ficou com Masuaki e/ou Não deixe os cachorros latirem sozinhos (Companhia das Letras), de Lourenço Mutarelli. Em terceiro aparece Piscinas russas (Tusquets), de Renata Belmonte.

Na categoria conto, Prêmio Clarice Lispector, a vencedora foi Maria Valéria Rezende, com Recapitulações (Editora 34). A escritora, uma das vozes reconhecidas da literatura brasileira contemporânea, ficou à frente de Sandra Liss, segunda colocada com Mulheres que amam assombradas (Litteralux), e Clara Arreguy, terceira com A escuridão do ventre (Outubro Edições).

Em poesia, o Prêmio Alphonsus de Guimaraens foi concedido a Adélia Prado por O jardim das oliveiras (Record). Publicado em 2025, o volume reúne 105 poemas escritos em diferentes momentos da trajetória da autora mineira, que completou 90 anos em dezembro do ano passado.

O livro foi analisado por Rafael Fava Belúzio na resenha Baú de sutilezas, publicada no Rascunho de maio de 2026. O crítico examina a presença de diferentes temporalidades e as relações entre lirismo, religiosidade e questões existenciais na obra da poeta.

O segundo lugar em poesia ficou com Boris e Marina (Companhia das Letras), de Alberto Martins, seguido de Os mortos (Ateliê Editorial), de Paulo Franchetti.

Literatura infantil e juvenil
Na literatura infantil, o Prêmio Sylvia Orthof foi conquistado por Lulu Lima, com Gavião (Mil Caramiolas). O livro foi destacado na seção Rascunho recomenda, na edição de setembro. O segundo lugar ficou com Eletricista (Elo), de Augusto Massi e Daniel Kondo, e o terceiro com Velho sertão (Pequena Zahar), de Fernanda Rios e Marcelo Tolentino.

Já na literatura juvenil, o vencedor do Prêmio Glória Pondé foi Roger Mello, com U-507 (Global). Ilustrado por Felipe Cavalcante, o livro parte dos ataques de um submarino alemão a embarcações na costa de Sergipe, em 1942, episódio que contribuiu para a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. A narrativa aborda os acontecimentos históricos a partir de uma perspectiva infantil.

A obra foi destacada na seção Rascunho recomenda, na edição de fevereiro deste ano. O segundo lugar ficou com Ocupado! (FTD), de Paula Fábrio, e o terceiro com A história dos nossos amores (Globo), de Severino Rodrigues.

Outras categorias
A edição de 2026 também marcou a estreia da categoria crônica, com o Prêmio João do Rio. O vencedor foi o músico e escritor DJ Dolores, com Lugares para chorar no Recife e outros (Seja Breve Edições).

No ensaio literário, Leonencio Nossa conquistou o Prêmio Mario de Andrade com João Guimarães Rosa, biografia (Nova Fronteira). Já o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, dedicado ao ensaio social, ficou com Ynaê Lopes dos Santos, autora de Irmãs do Atlântico: escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1763-1843) (Civilização Brasileira).

Na categoria histórias de tradição oral, o vencedor foi o líder indígena Raoni Mẽtyktire, com Memórias do cacique (Companhia das Letras). Em histórias em quadrinhos, o prêmio foi para Dormindo entre cadáveres (Comix Zone), de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci.

O Prêmio Carybé, de ilustração, contemplou Mauricio Negro por O muiraquitã: uma proteção ancestral (PeraBook). Na categoria projeto gráfico, o primeiro lugar ficou com Verena Smit — Entre a palavra e a imagem (WMF Martins Fontes), trabalho de Paulo André Chagas, Gabriela Marques de Castro e Gustavo Marchetti.

Em tradução, o Prêmio Paulo Rónai foi concedido a Natália T. M. Okabayashi pela versão brasileira de Sem despedidas, da escritora sul-coreana Han Kang, publicada pela Todavia.

Concedido desde 1994, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional reconhece obras publicadas no Brasil. Nesta edição, puderam concorrer livros lançados em primeira edição entre 1º de maio de 2025 e 30 de abril de 2026. O concurso registrou 3.389 inscrições, das quais 2.149 foram inicialmente habilitadas.

A relação completa dos vencedores e dos segundos e terceiros colocados das 13 categorias está disponível no site oficial da Fundação Biblioteca Nacional.

Rascunho

O Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

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