Tiago Patrício

Ensaio fotográfico de Tiago Patrício
Foto: Ozias Filho
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01/07/2021

O sabor da terra mora nas palavras do escritor Tiago Patrício. Nascido, vivido e crescido longe das grandes capitais, os seus caminhos — por mais que múltiplos — sempre retornam ao lugar de origem. O sabor é também o saber da terra, da ruralidade, que circula na sua corrente sanguínea.

Num passado recente, pois Tiago é ainda um jovem escritor, afirmou numa entrevista que precisava “fazer um exercício de esquecimento para continuar a escrever coisas novas”. E, de facto, tem escrito coisas novas, como por exemplo sobre O Estado de Nova Iorque, um dos seus livros, muito longe da sua terra de nascimento e da aldeia transmontana onde cresceu.

Talvez dentro da sua compreensão — ou no seu exercício de novidades e de esquecimentos —, estas ligações ao mundo do rural, às raízes, aos cheiros da terra passem por entre os pingos da chuva, ou seja, como marcas pouco visíveis, mas é inegável que sentimos a presença suspensa desta mesma chuva, e a possibilidade da sua queda iminente e abundante. Pressinto que os seus escritos terão sempre esta marca indelével de terra e raízes.

Esquecer, afinal, é um processo muito mais difícil e inconsciente do que aquilo que queremos fazer crer. Eu percebo este esquecimento, ante as histórias que precisamos contar, como uma grande circunferência vista do espaço e que está cheia de pegadas. Apagamos o que está à superfície, os diferentes pés que a percorreram, mas o círculo imaginário continua tatuado sob a pele ou chão que pisamos, e gravado em algum lugar esconso da memória.

Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho

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Foto: Ozias Filho
Tiago Patrício
Nasceu no Funchal (Madeira/Portugal), em 1979, passou pela Escola Naval, licenciou-se em Ciências Farmacêuticas e fez um mestrado em Teoria da Literatura. Venceu os prêmios Daniel Faria e Natércia Freire, em poesia, e o Prémio Agustina Bessa-Luís em ficção, com o romance Trás-os-Montes. Foi selecionado para o Laboratório de Dramaturgia do Teatro Meridional e para o Obrador d’Estiu de Barcelona. Passou por várias residências artísticas, em Praga, Aizpute, Tunes, Edimburgo e Nova York. Foi bolsista do Ministério da Cultura, em 2019, para escrever uma peça sobre a Armada Invencível. Trabalha como farmacêutico em Odivelas.

Ozias Filho

Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1962. É poeta, fotógrafo e editor. Autor de Poemas do dilúvio, Insulares, Páginas despidas O relógio avariado de Deus. Como fotógrafo tem vários livros publicados e integrou a iniciativa Passado e Presente – Lisboa Capital Ibero-americana da Cultura 2017. Vive em Portugal desde 1991.

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