Maurício Vieira

Ensaio fotográfico de Maurício Vieira, autor dos livros de poesia "Árvoressências" e "Manual onírico de jardinagem", do romance "A árvore oca" e do infantil "Floresta"
Foto: Ozias Filho
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27/03/2021

Uma conversa no Jardim Botânico de Lisboa, com Maurício Vieira, que cita Pessoa, através de Caeiro, que lê o Livro (Maior) da Natureza, de uma forma singular: “a luz do sol vale mais que os pensamentos/ De todos os filósofos e de todos os poetas”. (…) “É preciso também não ter filosofia nenhuma./ Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.

É inegável que perdemos o contato com este livro maior. Não precisamos ser nenhum expert no assunto, cientista, ambientalista, professores das escolas públicas, que trazem o tema a todo momento. Perdemos um contato de harmonia, de comunhão, que ainda subsistem em algumas pequenas culturas aborígenes.

O ser humano — parte de uma natureza outra, que não aquela que regula a perfeição do planeta — vocifera diariamente a importância da preservação dos habitats naturais, do equilíbrio do aquecimento global; diz da extinção de várias espécies animais e de outros seres vivos.

Se já passamos o ponto do retorno aos tempos mais harmoniosos, onde havia o tempo das chuvas, das colheitas, da fartura e das intempéries várias, que também fazem parte do fino fio do equilíbrio, isso não sabemos.

Contudo, o ponto de retorno deste ser, que se quer humano, mas que se olha no espelho com o poder de ser quem manda (pelo menos tem esta ilusão), ainda necessita de uma grande caminhada, talvez na direção de uma Natureza não religiosa, mas tratando o sol, a chuva e as suas águas, o ar que respiramos, os seres vivos, e por extensão, ele próprio, como deuses, resgatar o seu ser aborígene.

Foto: Ozias Filho

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Maurício Vieira
Nasceu em Santo André (SP). Publicou os livros de poesia Árvoressências (2014) e Manual onírico de jardinagem (2019), o romance A árvore oca (2018), e o infantil Floresta (2021), ilustrado por Jonathas Martins. Em 2017, apresentou com o músico angolano Lulendo a peça La Lyre Africaine, no Espace Krajcberg e no Club des Poètes, em Paris. Organizou o ciclo de leituras La Découverte de l’Autre, na Maison de l’Amérique Latine, em Paris, e na Fundação Saramago, em Lisboa, em 2019. É editor da revista online Arvoressências desde 2014.

Ozias Filho

Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1962. É poeta, fotógrafo e editor. Autor de Poemas do dilúvio, Insulares, Páginas despidas O relógio avariado de Deus. Como fotógrafo tem vários livros publicados e integrou a iniciativa Passado e Presente – Lisboa Capital Ibero-americana da Cultura 2017. Vive em Portugal desde 1991.

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