Ultimamente a gente tem acordado com a quase certeza de que vai olhar no Instagram e a primeira notícia do dia vai ser: o mundo acabou. É tanta notícia ruim que fica difícil manter acesa a esperança voando no fim do túnel. Temos perdido um tempo enorme imaginando rotas de fuga, maneiras de viver como as formigas no mato para escapar de tudo o que assombra no planeta em chamas.
Essa semana teve uma noite em que o mundo não acabou. E foi em um evento simples que esse sentimento aconteceu. Fui ao cinema assistir ao excelente O convite, dirigido pela Olivia Wilde. Uma sala de tamanho médio, nem era tão pequena, em um domingo no começo da noite meio fria. Do lado de fora, uma turma ouvia música altíssima, sem nenhum conhecimento de que em cima deles moram pessoas que poderiam não ter vontade de ouvir a mesma música na mesma altura. Mas isso é um detalhe no rol das coisas que assombram no planeta, vamos combinar.
No cinema, um universo à parte com café e livraria — ah, que delícia esse mundo que ainda não acabou — e algumas salas. Em uma delas, o tal filme, leve, profundo, inteligente e divertido. A sala cheia! Uma concentração incrível, todos imersos naquela história que tem como essência a ideia de que tudo de que precisamos é amar e permanecer apaixonados. Adorei.
Saí depois de quase duas horas de filme com a sensação de que existem algumas ilhas suspensas de amor e paz. A sala de cinema ali, naquele instante, foi um tempo isolado das tragédias diárias, com tanta gente brigando com tanta gente, tudo tão à beira do completo caos. A arte… como a arte faz o mundo bonito, suave e feliz ainda existir.
Assistam, se puderem. O filme é um convite mesmo ao amor.