Uma mulher vive isolada na encosta de uma montanha, onde sua tarefa é cuidar dos limites da propriedade e comunicar qualquer anomalia ao Zelador. Em cadernos, registra a rotina, os pensamentos e as lembranças de uma infância marcada pela pobreza, pela violência da mãe e pelo desejo frustrado de estudar. O equilÃbrio precário se rompe quando um corpo aparece em seu jardim. Ela decide enterrá-lo, mas outros cadáveres começam a surgir. Em A montanha das fúrias, Fernanda TrÃas transforma a paisagem em parte ativa da narrativa: a névoa, a mata e o isolamento refletem uma história atravessada por maternidade, abandono, exploração e ressentimento. A autora uruguaia também aproxima a violência sofrida pelos corpos daquela exercida sobre a natureza, fazendo da fúria uma força que percorre personagem e território. Publicado originalmente em 2025, o romance rendeu a TrÃas, pela segunda vez, o Prêmio Sor Juana Inés de la Cruz.