Mostra do IMS Paulista revisita trajetória de Carolina Maria de Jesus

“Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros”, que será aberta neste sábado (25),  apresenta detalhes sobre a obra e o legado da autora
Carolina Maria de Jesus, autora de “Casa de alvenaria”
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24/09/2021

O Instituto Moreira Salles, em sua sede de São Paulo, inaugura neste sábado (25) a exposição “Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros”, que apresenta detalhes sobre a vida, a obra e o legado da escritora mineira. A visitação é gratuita e segue até 30 de janeiro de 2022.

A mostra traz ao público facetas pouco conhecidas da trajetória da autora, reforçando a importância do seu projeto literário e do seu legado como intérprete do Brasil. Fruto de uma pesquisa de quase dois anos, a seleção reúne fotografias, manuscritos, vídeos e material documental.

A seleção reúne aproximadamente 300 itens, entre fotografias, matérias de imprensa, vídeos e outros documentos. Inclui também obras de cerca de 60 artistas, parte comissionadas, que dialogam com os temas investigados por Carolina.

A curadoria é do antropólogo Hélio Menezes e da historiadora Raquel Barreto e a assistência de curadoria, da historiadora da arte Luciara Ribeiro. A mostra conta ainda com o trabalho de pesquisa da crítica literária e doutora em letras Fernanda Miranda.

Dividida em 15 núcleos temáticos, a exposição ocupa o 8º e o 9º andar do IMS Paulista, tendo obras presentes também no 5º andar, no térreo e na avenida Paulista. A mostra apresenta as reflexões de Carolina de Jesus (1914- 1977) ao longo de sua trajetória, da infância na cidade de Sacramento (MG), no contexto pós-abolição da escravatura, passando por sua chegada à capital paulista, pelo lançamento e pela repercussão de seus livros, até o fim de sua vida, em Parelheiros (SP).

Foto: Arquivo Público do Estado de São Paulo/Última Hora

Intérprete do Brasil
Na seleção, é possível observar como Carolina interpretou as contradições, a política e a desigualdade do Brasil de seu período. A exposição evidencia também a importância histórica da autora para pautas como o antirracismo, as lutas pelo letramento e pela moradia.

O título da mostra — Um Brasil para os brasileiros — remete a dois cadernos originais de Carolina, desde 2006 sob a guarda do IMS. Em 1975, os manuscritos foram entregues pela autora à pesquisadora Clélia Pisa, que a entrevistou, juntamente com Maryvonne Lapouge, para o livro Brasileiras, publicado apenas na França.

Após o falecimento de Carolina, os cadernos foram editados na França e publicados em livro, em 1982, com o título Journal de Bitita. Em 1986, a obra foi traduzida diretamente do francês e lançada em português como Diário de Bitita.

Os manuscritos são o fio condutor da mostra, sendo exibidos logo na entrada. A equipe de curadoria comenta a importância do livro: “Em Um Brasil para os brasileiros, a autora elabora narrativas biográficas e autoficcionais ao rememorar sua infância, apresentando pontos de vista de personagens que foram apagadas das narrativas oficiais escritas, majoritariamente por autores homens e brancos. Carolina faz assim um interessante contraponto aos cânones literários vigentes no Brasil.”

Voz literária
Na exposição, os textos de Carolina e sua própria letra aparecem em diversos formatos, como manuscritos, projeções na parede e lambes-lambes. Durante a pesquisa, foram consultados os originais da autora, grande parte depositados no Arquivo Público de Sacramento.

O intuito é mostrar ao público a voz e a escrita original de Carolina, tendo em vista que os livros da autora publicados até recentemente passaram por modificações e alterações, o que gerou controvérsia entre autores e críticos. A exposição percorre a produção literária de Carolina, abordando a história e a recepção de suas obras e mostrando a amplitude e a complexidade de sua produção, em grande parte presente em cadernos manuscritos ainda não publicados.

Para além do Quarto de despejo (1960), obra pela qual ficou mais conhecida e em que relata seu cotidiano na favela do Canindé, em São Paulo, a autora lançou em vida: Casa de alvenaria (1961), Pedaços da fome, cujo título original era A felizarda (1963), e Provérbios (1963). Após sua morte, foram publicados também Diário de Bitita (1986) e outras edições independentes reunindo textos seus. Ao longo de sua trajetória, Carolina escreveu ainda poemas, crônicas, peças de teatro e letras de música, a maioria também ainda inédita.

Imagens
Ao longo da mostra, as pessoas também encontrarão fotografias pouco conhecidas da artista. Há imagens em que a autora aparece sorrindo, usando roupas elegantes, como sobretudos e colares de pérolas, com o cabelo à mostra, de forma altiva.

O conjunto traz, por exemplo, um registro de Carolina no aeroporto, em 1961, antes de embarcar para o lançamento de Quarto de despejo no Uruguai. Em outras fotos, ela aparece em um programa de televisão com os filhos, em 1962, ou, ainda, em 1963, utilizando um vestido que confeccionou especialmente para o Carnaval daquele ano.

Quarto de despejo
Carolina Maria de Jesus
Ática

200 págs.
Casa de alvenaria — Volume 1: Osasco
Carolina Maria de Jesus
Companhia das Letras
232 págs.

Rascunho

Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

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