Livro investiga “justiça jagunça” de “Grande sertão: veredas”

“Políticas de Riobaldo”, de Renan Porto, traça paralelo entre as noções de ética e política presentes no romance de João Guimarães Rosa e o momento atual
Renan Porto, autor de “Políticas de Riobaldo — A justiça jagunça e suas máquinas de guerra”
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30/09/2021

Em Políticas de Riobaldo — A justiça jagunça e suas máquinas de guerra, o baiano Renan Porto analisa o principal romance de João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas, sob a lente do conceito de justiça. Lançado pela Cepe, o livro traz prefácio do crítico e romancista Silviano Santiago, também um estudioso da obra de Rosa.

O livro de Porto nasceu de sua dissertação de mestrado, defendida em 2019, na pós-graduação em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. “O romance de Rosa me permitiu explorar uma justiça da perspectiva nômade e anárquica dos jagunços em oposição a uma justiça do estado, dos juízes e dos tribunais”, diz o autor.

Para o escritor, a obra permanece atual e dialoga com nosso momento atual.  “O livro poderia ser reescrito hoje a partir dos conflitos entre facções que controlam as favelas, que assim como os bandos jagunços, cooptam negros e pobres para seus exércitos. Bandos que existiam sempre em relação — na maioria das vezes numa relação de serviço — com líderes políticos, fazendeiros e coronéis.”

Para compor o livro, Renan Porto foi em busca de filósofos como Henri Bergson (1859-1941) e Gilles Deleuze (1925-1995), de antropólogos como Pierre Clastres (1934-1977) e de professores que estudaram o clássico de Guimarães Rosa, como Silviano Santiago e Willi Bolle (USP), entre outros.

O Riobaldo do título é o jagunço que, num monólogo, narra a história de Grande sertão: veredas, considerada uma das obras mais significativas da literatura brasileira. O diabo, que nunca aparece nas páginas, e a guerra travada nos confins da Bahia e de Minas Gerais são o fio condutor do romance.

É o modo de viver e de agir dos jagunços, em especial de Riobaldo e suas noções de ética e de política, que Renan Porto explora ao enveredar em Grande sertão. Um dos capítulos é dedicado ao julgamento de Zé Bebelo, um dos chefes de bando, cujo resultado é crucial para o desenrolar do romance de Rosa.

Nascido em Florestal, distrito do município de Jequié (BA), Renan Porto é graduado em direito e vive atualmente em Londres, na Inglaterra, onde faz doutorado em direito na Universidade de Westminster.

Políticas de Riobaldo — A justiça jagunça e suas máquinas de guerra
Renan Porto
Cepe
136 págs.

Rascunho

Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

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