Nesta quinta-feira (4), completam-se 17 anos da morte da escritora paulista Hilda Hilst. Para lembrar a data, será exibido o filme Hilda Hilst pede contato, dirigido por Gabriela Greeb. ApĂłs a sessĂŁo, que tem inĂcio Ă s 20h, será realizado um debate, com a presença da diretora do documentário. O link para a exibição pode ser acessado aqui.
O longa-metragem apresenta uma imersão na vida e obra de Hilda Hilst, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira, a partir de gravações inéditas deixadas pela própria escritora, que entre 1974 e 1979 tentou comprovar a imortalidade da alma registrando vozes de pessoas mortas.
Filmado na Casa do Sol, chácara em Campinas (SP) onde Hilst se refugiou, e com a participação de amigos Ăntimos da escritora, o documentário tambĂ©m inclui intervenções poĂ©ticas e realidades paralelas. O fio condutor da narrativa Ă© um jantar pĂłstumo na Casa do Sol, com seus amigos, como o escritor e crĂtico Alcir PĂ©cora, colunista do Rascunho.
Durante este encontro, diferentes realidades ocupam o mesmo espaço-tempo, de forma a justapor vivos e mortos, material e imaterial, passado e presente. A personagem da escritora, interpretada por Luciana Domschke, Ă© construĂda a partir de registros sonoros, da Ă©poca em que ela tentava por meio de experimentos eletromagnĂ©ticos, contato com amigos e escritores já falecidos.
Toda a narrativa Ă© construĂda a partir da voz da prĂłpria Hilda Hilst, em primeira pessoa, e dublada pela atriz. O filme conta com material de arquivo inĂ©dito: Cinquenta rolos de super 8, 100 horas destas gravações, realizadas entre 1974 e 1979, em que seguia as regras dos experimentos realizados pelo cientista sueco Friedrich Jurgenson, considerado por muitos o pai da EVP (Eletronic Voice Phenomenon).
A première mundial do filme aconteceu durante a Flip 2018, abrindo as sessões de cinema do maior evento de literatura do paĂs, em que Hilda Hilst foi a homenageada do ano. A estreia em circuito comercial foi em 2 de agosto 2018 em todo o Brasil. Veja o trailer.
Hilda Hilst nasceu em JaĂş (SP), em 1930. Formou-se em Direito pela USP e, aos 35 anos de idade, mudou-se para a chácara Casa do Sol, prĂłximo a Campinas. Lá, na companhia de dezenas de cachorros, dedicou-se integralmente Ă criação literária, entre livros de poesia, ficção e peças de teatro. Nos anos 1990, irritada com o parco alcance de sua escrita, anunciou o “adeus Ă literatura sĂ©ria” e inaugurou a fase pornográfica, com os tĂtulos que integrariam a tetralogia obscena.