Maristela olhou sobre os meus ombros, leu o que eu estava escrevendo.
— Agradecendo ao ChatGPT?
— Claro, fiz uma pergunta, ele me respondeu, conferi, a resposta estava correta. Era minha obrigação. Sou um sujeito educado.
Ela saiu do escritório rindo:
— Você ainda vai enlouquecer. Quando a gente começa a falar com robô, a coisa está feia.
Fiquei sozinho pensando. Será que se, no futuro, estivermos cercados de autômatos trabalhando para a gente, as relações serão diferentes das humanas? Seremos apenas imperativos, daremos ordens, esperaremos impacientes os resultados e seguiremos em frente sem nenhum gesto de cordialidade. As interações entre humanos e máquinas serão mesmo frias e desprovidas de delicadezas? Não sei. Tenho a forte impressão de que seguirei sendo o mesmo.
Eu costumo discutir com a inteligência artificial. É uma coisa inocente, zombeteira, que me dá prazer. Às vezes, faço perguntas difíceis, sabendo as respostas, apenas para ver o software se enganar. Quando ele responde errado, imediatamente aviso sobre o engano, encho-me de superioridade e, professoralmente, explico qual deveria ter sido a solução para a minha pergunta. E surpreendo-me com a paciência do aparelho pseudointelectual ali ao meu dispor. Ele amplia um pouco o meu resultado, agora o correto, humildemente somando ao todo mais algumas informações confiáveis.
Certa feita, muito mal-humorado, impacientei-me e chamei a sapiente tecnologia de burra. Para ver, morto de vergonha, ela responder:
— Posso ter errado em algo antes. Se foi o caso, me diga onde, para que eu corrija. Estou aqui para ajudar. Como posso te ajudar agora?
O fato é que sou daqueles que têm se surpreendido muito positivamente com a IA. É uma bicha pacata, sabida, capaz de muitas vezes possibilitar que encurtemos caminhos. E, como não acredito que alguém com tanto preparo seja desprovida de sensibilidade — talvez possuam até algum tipo de alma —, pretendo continuar agradecendo.