Quinta-feira, 22 de outubro de 2026. Cumpridas as quatro primeiras missões do dia, recebidas do André Janones, fiz um esforço enorme para me afastar do turbilhão que invadiu meu celular — meu coração e minha cabeça — e sentei para escrever este texto.
Daqui a três dias iremos às urnas para a eleição mais importante da história — da minha história, com certeza —, mas quando essa crônica chegar até você, já teremos vivido o domingo, 25 de outubro de 2026.
Esse texto deve ser enviado ao editor do Rascunho até o meio-dia de segunda-feira, 26 de outubro. É preciso começar a escrevê-lo com alguma antecedência, antes da noite de domingo, sem saber qual será o resultado da eleição. Como lidar com isso?
Se eu fosse jornalista, talvez recebesse a orientação de escrever dois textos, um para cada cenário. Mas a mera ideia de elaborar e discorrer sobre uma hipotética vitória da extrema direita, uma modalidade de descida ao Hades, me paralisa.
Uma alternativa seria escrever sobre qualquer outro assunto: o e-mail de uma leitora que tanto me alegrou; as flores inesperadas acompanhadas por um bilhete escrito num papel azul; a transformação das minhas pálpebras a me lembrar da passagem do tempo. Mas, a depender do resultado das eleições, todo e qualquer tema — mais, menos ou nada relevante — deixa de despertar qualquer interesse. Volto ao início do tabuleiro, meu pião debaixo do braço, sem saber para onde ir. Interrompo a escrita aqui.
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026. Já conhecemos o resultado da eleição. Já sabemos que nunca antes na história desse país houve uma virada como essa no segundo turno. Já sabemos que a democracia venceu por cerca de quatro milhões de votos. Do lado de cá da trincheira, à medida que o ar volta aos nossos pulmões, estamos todos aliviados, inebriados de felicidade, comovidos com a força das ruas repletas, com a beleza dessa comunhão que rechaçou o bolsonarismo.
Em 2022, dissemos não ao bolsonarismo. Em 2026, urramos. Lutamos com lealdade uma luta desleal contra a Meta, contra ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, contra a censura, contra as bets, contra os grandes veículos da imprensa, contra o fascismo, contra o Vorcaro, contra milicianos, contra bandidos que, no último domingo, diminuíram a frota de ônibus das ruas, promoveram blitzes, hostilizaram e constrangeram eleitores de Lula, numa clara tentativa de manipular o resultado da eleição. Vencemos lutando o bom combate, nos mobilizando, nos dando as mãos, vestindo vermelho, recuperando as cores da nossa bandeira, nos alistando no exército do Janones. Vencemos por meio do voto.
Pessoal, urgente, aperta o dedo e explode que é Lula presidente do Brasil.
Nós vamos sorrir. Sorriam.