Continuando com a abordagem dos campos de sentido mais relevantes do poema O operário em construção, de Vinicius de Moraes: 4) Epifania (1): A importância do trabalho do operário: “À mesa, ao cortar o pão/ O operário foi tomado/ De uma súbita emoção/ Ao constatar assombrado/ Que tudo naquela mesa/ — Garrafa, prato, facão —/ Era ele quem os fazia/ Ele, um humilde operário/ Um operário em construção”. O trecho em itálico remete à primeira epifania do operário — que subitamente tem uma revelação, alcança uma verdade sobre a importância ou centralidade do seu trabalho. Afinal, além de “garrafa, prato, facão”, ele também constrói “gamela/ Banco, enxerga, caldeirão/ Vidro, parede, janela/ Casa, cidade, nação!”. E o operário é ainda caracterizado como alguém que sabe “Exercer a profissão”. Ou seja, é apto, abalizado, capaz. O que reforça a sua relevância social. Daí o operário também descobrir (ou dimensionar) que tudo o que ele constrói, que tudo o que brota de suas mãos, é “belo” — é poesia. 5) Epifania (2): Entendimento do mecanismo de exploração: É o momento (6ª estrofe) em que o operário entende o mecanismo da exploração: “Notou que sua marmita/ Era o prato do patrão/ Que sua cerveja preta/ Era o uísque do patrão/ Que seu macacão de zuarte/ Era o terno do patrão/ Que o casebre onde morava/ Era a mansão do patrão/ Que seus dois pés andarilhos/ Eram as rodas do patrão/ Que a dureza do seu dia/ Era a noite do patrão/ Que sua imensa fadiga/ Era amiga do patrão.// E o operário disse: Não!/ E o operário fez-se forte/ Na sua resolução”.