O escritor e articulista da Folha de S. Paulo Marcelo Coelho publicou, em 2011, um breve e interessante artigo no qual mostrou que Rubem Fonseca, a partir dos anos 1960, criou no Brasil uma “escola da literatura da violência”. Tal escola se caracterizaria pelos seguintes traços: a) brutalidade ou “realismo mais cru, mais puro e duro”; b) narrativas situadas em espaço urbano; c) narrativas que não sentimentalizam a vida dos despossuídos; d) narrativas bastante “frias e cínicas”. O autor aponta como obra de Rubem Fonseca que traz as características da frieza e do cinismo o conto Feliz ano novo. Eis um fragmento do conto: “[…] Apanhei a carabina doze e carreguei os dois canos. Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede? Ele se encostou na parede. Encostado, não. Uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Aí. Muito obrigado. Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos, aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força no meio da parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone”. É possível ou recomendável levar para a sala de aula, para alunos do Fundamental II, por exemplo, narrativas brutais como as que escreveu Rubem Fonseca e os autores que integram a “escola da literatura da violência” (a exemplo de Marçal Aquino, Fernando Bonassi, Patrícia Melo, entre alguns outros citados por Marcelo Coelho no artigo)? Sim, é mais que recomendável, é instrutivo.