Verenilde S. Pereira mergulha na Amazônia para narrar o choque entre culturas e a violência da colonização. Um rio sem fim acompanha Maria Assunção e Rosa Maria, meninas indígenas educadas em uma missão religiosa e levadas por missionárias para trabalhar em casas de famílias ricas de Manaus. O deslocamento forçado as obriga a buscar caminhos rumo à liberdade, enfrentando os limites impostos pela Igreja e os ecos de um passado que transformou radicalmente suas vidas. O romance expõe o “mau encontro” entre a Igreja Católica e os povos indígenas, mostrando como rios, terras, plantas, animais e gentes foram submetidos ao domínio colonial ou exterminados. Ao narrar sob a perspectiva do impensável — aquilo que parecia impossível de acontecer —, Verenilde constrói uma reflexão sobre perda, resistência e sobrevivência. Reinscreve a história pela voz das personagens, que carregam tanto a dor da ruptura quanto a esperança de reconstrução, convidando o leitor a enxergar a Amazônia e seus povos como sujeitos de memória e de futuro.