Em O primeiro leitor, Luiz Schwarcz revisita sua trajetória como editor e fundador da Companhia das Letras, refletindo sobre o papel do editor como aquele que inaugura a leitura de um livro. O ensaio de memória combina lembranças pessoais e reflexões sobre o ofício, revelando como a paixão pelos livros moldou sua vida e sua carreira. Schwarcz narra episódios de formação, encontros decisivos e dilemas da prática editorial, sempre destacando a delicada relação entre autores e leitores. Ao situar sua experiência no contexto da história do livro e da edição, aproxima-se de figuras internacionais como Max Perkins, Bennett Cerf e Michael Korda, mostrando que o trabalho editorial é também uma forma de criação. O texto ganha densidade ao discutir a responsabilidade ética do editor, que precisa equilibrar sensibilidade literária e visão de mercado, e ao mostrar como a edição pode ser um ato de resistência cultural. O resultado é um testemunho sobre a importância da leitura e da edição como práticas que atravessam o tempo, constroem pontes entre memória e futuro.