Patrícia, jovem mexicana aventureira, decide morar na Europa em busca de novos desafios. Anos depois, retorna transformada em Aisha: uma mulher casada, convertida ao islamismo, submissa a um marido rígido e determinada a apagar o passado. Essa mudança radical é o ponto de partida de O livro de Aisha, obra que se constrói na fronteira entre memória, investigação íntima e ficção. Sylvia Aguilar Zéleny, ao tentar compreender a trajetória da irmã, mergulha em sua própria história, revelando lacunas, silêncios e perplexidades diante daquilo que não pode ser plenamente explicado. O livro não se encaixa em categorias fixas: não é biografia, nem romance, nem crônica, mas uma narrativa híbrida que combina relato pessoal, reflexão cultural e questionamento sobre identidade. A obra aborda temas como migração, pertencimento, religião e gênero, explorando como escolhas individuais podem reverberar em toda a família. Ao mesmo tempo, expõe o impacto da ausência e da transformação da memória, mostrando como o passado pode ser reescrito ou apagado. Traduzido por Julia Dantas, o livro desafia fronteiras formais e convida o leitor a refletir sobre os limites entre vida e ficção, intimidade e alteridade.