Aos sete anos, Elizabeth ganha da mãe um vestido de princesa e a inscrição em um concurso de minimiss. A vitória transforma a brincadeira em rotina: novos concursos ocupam os fins de semana, mas o primeiro lugar nunca mais chega. Submetida às expectativas maternas e à exposição constante do próprio corpo, a menina vê a infância ser tomada por exigências de aparência e desempenho. Na adolescência, a revolta cresce e o corpo se torna seu principal campo de confronto. Anos depois, Elizabeth decide assumir o controle da própria imagem e inicia uma transformação física radical, usando músculos, exercícios e excessos como instrumentos de uma vingança preparada durante muito tempo.
Narrado pela própria protagonista, Flórida percorre sua vida da infância à idade adulta, tendo como pano de fundo o universo dos concursos de beleza infantis e do culto ao corpo. Olivier Bourdeaut aborda a sexualização precoce, a pressão estética, a projeção das ambições dos pais sobre os filhos, o assédio e os conflitos da adolescência. O escritor contou que a ideia surgiu depois de assistir a um documentário sobre concursos de minimiss e que trabalhou por sete anos na construção de Elizabeth. Publicado originalmente na França em 2021, o romance também utiliza o cenário da Flórida para explorar o excesso e a transformação corporal como formas de afirmação e confronto.