Em Depois do trovão, Micheliny Verunschk revisita um episódio pouco lembrado da história brasileira: a chamada Guerra dos Bárbaros, conflito que se estendeu entre os séculos 17 e 18 no interior do Nordeste. A Coroa portuguesa financiou expedições militares com o objetivo de subjugar e exterminar povos indígenas da região, contando com a participação de bandeirantes paulistas e tropas locais. Nesse cenário, surge a trajetória de Auati, filho de uma indígena com um frei jesuíta. Ainda criança, ele é levado para as expedições de catequese e violência, vivendo o paradoxo de ser ao mesmo tempo vítima e agente da colonização. Transformado em Joaquim Sertão, o personagem atravessa batalhas, deslocamentos e encontros que revelam a complexidade de um país em formação. O romance ilumina um período marcado por disputas sangrentas e pela tentativa de apagamento das culturas originárias, trazendo à tona memórias que permanecem pouco discutidas. Com linguagem que combina força narrativa e pesquisa histórica, Verunschk constrói uma obra que se insere na tradição de narrativas sobre o Brasil colonial, destacando o impacto da Guerra dos Bárbaros na constituição da sociedade. Depois do trovão reafirma o interesse da autora em explorar passagens decisivas da história nacional por meio da ficção.