Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, iniciou seu caminho nas letras, de forma independente, com os poemas de Fortaleza da desilusão (1997). Três anos depois, lançou o romance Capão pecado — o qual, antes de ser reeditado pela Companhia das Letras, com posfácio de Marcelino Freire, vendeu mais de 100 mil exemplares. No livro, referência quando se fala em periferia e literatura, Rael é um sujeito à margem que tenta se virar com honestidade, assombrado pelos fantasmas do meio hostil em que vive — espécie de Vietnã nacional, conforme o personagem “brinca” em determinado momento da narrativa. No bairro do Capão, onde acontecem coisas que até o diabo duvida e “o futuro fica mais pra frente, bem mais pra frente”, as vidas valem muito pouco e tudo parece sempre por um fio. Para completar o cenário caótico, no qual a desigualdade e falta de perspectivas ditam as regras, o protagonista se apaixona pela namorada de um amigo e tudo desanda de vez.