Em As cinco estações do amor, João Almino constrói um romance marcado pela memória e pelo tempo, acompanhando a trajetória afetiva de uma mulher que revisita um amor vivido ao longo de décadas. Ambientada em Brasília, a narrativa faz da cidade — símbolo de utopia, projeto e desgaste — um espelho das transformações íntimas de seus personagens. O reencontro amoroso funciona como eixo para refletir sobre desejo, perda, amadurecimento e permanência, compondo um mosaico de experiências em que passado e presente se entrelaçam. Com linguagem elegante e contida, Almino articula introspecção e observação social, explorando como os vínculos se modificam sem jamais se apagar por completo. O romance propõe uma leitura sensível do amor não como ideal fixo, mas como força em constante metamorfose, atravessada pelas circunstâncias históricas e pelas escolhas individuais. Ao unir lirismo e reflexão filosófica, o livro reafirma a capacidade da ficção de iluminar a experiência afetiva e suas ambiguidades, oferecendo ao leitor uma meditação madura sobre aquilo que permanece — e sobre o que inevitavelmente se desfaz ao longo da vida.