É possĂvel continuar acreditando na vida quando tudo que há ao redor flerta com a morte e destruição? Os trĂŞs jovens personagens da narrativa de CazarrĂ© buscam mostrar que sim, por mais que estejam situados no meio do olho do furacĂŁo: a guerra que ocorreu, entre 1896 e 97, no Arraial de Canudos. Na histĂłria, Maria Guilhermina tem 15 anos e chega, acompanhada dos pais e do irmĂŁo gĂŞmeo, Ă regiĂŁo do interior da Bahia que abriga pessoas fugidas da misĂ©ria do sertĂŁo nordestino. Em seu novo lar, a jovem se vĂŞ em uma espĂ©cie de triângulo amoroso com um poeta pernambucano e um militar inglĂŞs — que nĂŁo deixa de representar, em menor escala, outra batalha. Os sonhos, dĂşvidas, tristezas e alegrias desses amores incipientes guiam a narrativa, surgida a partir da dedicação do autor Ă leitura e releitura do romance Os sertões (1902), de Euclides da Cunha, que traz riquezas de detalhes ao documentar um entre tantos perĂodos sangrentos da histĂłria do Brasil.