“Meu intuito é retratar a loucura indo além do lado depressivo e mórbido dos transtornos mentais, para mostrar um outro lado, o da criatividade, da pulsão de vida, ousadia e liberdade”, diz a socióloga Ana Cristina Braga Martes, que estreou na ficção com o romance A origem da água — livremente baseado na vida da escritora mineira Maura Lopes Cançado, autora do autobiográfico Hospício é Deus (1965). Na narrativa de Ana Cristina, Laura nasce numa fazendo do interior do Brasil e desde cedo precisa lidar com o domínio do masculino ao seu redor. Expulsa de um colégio interno, casada e mãe ainda na adolescência, a protagonista tenta penetrar nos meios intelectualizados após vencer um prêmio literário e colaborar com um grande jornal. A realidade, porém, bate mais forte: aos 25 anos, ela se interna voluntariamente em um hospital psiquiátrico — e a história vai navegando águas cada vez mais profundas, passando por reflexões sobre loucura e sanidade, saúde mental e institucionalização, entre outras.