Obra fundamental do movimento negro é publicada no Brasil após 50 anos

“Black Power”, dos ativistas Charles V. Hamilton e Kwame Ture, pela primeira vez definiu o conceito de racismo institucional
Kwame Ture, coautor de “Black Power”
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10/09/2021

Após 50 anos de seu lançamento original, o livro Black Power finalmente ganha uma edição no Brasil. Escrito por Charles V. Hamilton e Kwame Ture, é o 14º lançamento da selo Sueli Carneiro, da editora Jandaíra. Coordenado por Djamila Ribeiro, o selo destina-se à disseminação de conteúdo crítico e antirracista produzido por autores e autoras negras no âmbito das ciências sociais e políticas.

Black Power se tornou uma obra icônica, que pela primeira vez definiu o conceito de racismo institucional. Publicado em 1967 no auge da luta por direitos civis nos Estados Unidos, tornou-se fundamental para a história dos movimentos negros de todo o mundo ao mostrar a ação insidiosa do preconceito racial sobre a sociedade ocidental.

A primeira frase do prefácio original resume bem o papel da obra: “Este livro é sobre o porquê, onde e de que maneira os negros nos Estados Unidos devem se unir. É sobre negros cuidando dos seus assuntos — assuntos dos e para os negros”.

O livro foi escrito pela dupla Charles V. Hamilton e Kwame Ture, anteriormente conhecido como Stokely Carmichael. Os dois estavam na linha de frente pelos direitos dos negros e procuraram registrar no calor do momento as discussões sobre o enfrentamento à supremacia branca.

“Este livro se mantém como um símbolo da juventude e da autoconfiança do movimento Black Power, que elevou a luta por direitos civis nos Estados Unidos e inspirou movimentos de libertação em todo o mundo. No fim dos anos 1960 e 1970, os ativistas do Black Power impulsionaram uma nova consciência coletiva que unia lutas globais por meio de visões anticoloniais, anti-imperialistas e pan-africanas. O Black Power acentuou o orgulho de se ter a pele mais escura e o cabelo natural como uma celebração estética da beleza negra” escreve no prefácio Bokar Biro Ture, filho de Kwame Ture, que vive na Guiné, país de adoção de Ture.

Kwame Ture, anteriormente conhecido como Stokely Carmichael, estava entre os líderes mais ativos da militância negra nos Estados Unidos na década de 1960, primeiro como chefe do Comitê de Coordenação Estudantil Não-Violento (SNCC) e depois como primeiro-ministro do Partido dos Panteras Negras, onde cunhou a expressão Black Power.

Em 1969, ele cortou seus laços com grupos americanos sobre a questão de se aliar aos radicais brancos e mudou-se para a Guiné. Ele se declarou um pan-africanista. Em 1978, mudou seu nome para Kwame Ture, para homenagear os líderes socialistas africanos Kwame Nkrumah e Ahmed Sekoe Touré. Morou 33 anos na Guiné, até o diagnóstico de câncer de próstata. Ele morreu em 1998.

O outro autor, Charles V. Hamilton, é um cientista político, líder dos direitos civis e Professor Emérito de Governo e Ciência Política da WS Sayre na Universidade de Columbia.

Black Power — A política de libertação nos Estados Unidos
Kwame Ture e Charles V. Hamilton
Trad.: Arivaldo Santos de Souza
Jandaíra
256 págs.

Rascunho

Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

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