🔓 Livro de Araquém Alcântara dá voz a crianças da Amazônia

Durante 90 dias, fotógrafo percorreu seis Estados e encontrou 15 personagens que narram como é viver a infância na maior floresta tropical do mundo
Imagem do livro “Amazônia das crianças”, de Araquém Alcântara
07/11/2023

Um dos precursores da fotografia de natureza no Brasil, com mais de 60 livros publicados, Araquém Alcântara apresenta uma perspectiva inédita em seu novo trabalho. O livro Amazônia das crianças retrata e dá voz a 15 meninos e meninas que vivem na maior floresta tropical do planeta. Em primeira pessoa, são as próprias crianças que contam como é viver a infância na imensidão do bioma amazônico, em relatos inspirados no cotidiano e nas lendas da região. Além das imagens de Araquém Alcântara, a obra traz textos do jornalista Morris Kachani e ilustrações do artista Angelo Abu.

O livro tem como apoio um material didático intitulado Guia de navegação, direcionado aos professores com o objetivo de ampliar o conceito de sustentabilidade e discutir modelos de sociedades do futuro. Os texto são do professor Zysman Neiman e a edição final do jornalista Décio Galina.

Com patrocínio do C6 Bank e da Mastercard, o livro será lançado em 30 de novembro, em evento que reunirá os autores da obra e convidados na sede do banco. Antes disso, no dia 23 de novembro, o pré-lançamento de Amazônia das crianças acontece durante a Virada Sustentável, em Belém do Pará. Haverá ainda uma exposição com imagens do livro no Ver-o-Rio, praça pública às margens da baía do Guajará, na capital paraense.

Em parceria com a Associação Vaga Lume, presente em 22 municípios da Amazônia Legal e responsável pela implantação e fomento de 95 bibliotecas comunitárias, será realizada uma ação de incentivo à leitura em comunidades de seis estados da região. Cerca de 2 mil livros serão distribuídos a escolas públicas.

Personagens
Voltado ao público infantil, mas de caráter amplo, o livro tem como protagonistas crianças de seis Estados da região amazônica — Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Roraima. São crianças indígenas, ribeirinhas, extrativistas, quilombolas, urbanas e beiradeiras, que representam a diversidade do bioma amazônico.

Os personagens são apresentados a partir de suas aventuras cotidianas, como percorrer longas distâncias de água para pescar ou ir à escola, participar das preparações de uma festa ou um ritual, ir à primeira grande caçada ou jogar futebol no campo da aldeia.

Entrelaçadas às exuberantes fotografias, os textos e as ilustrações buscam o equilíbrio entre o cotidiano das crianças e as lendas da floresta, tão arraigadas no imaginário dos povos locais.

“Poucas pessoas conhecem a Amazônia que essas crianças veem. Por isso, o livro dá voz a elas. É uma visão única. O que é muito importante, porque são justamente as crianças que vão liderar a preservação da floresta. O futuro passa pela educação das crianças agora. Para que haja futuro”, diz Araquém Alcântara, que ao longo do projeto produziu cerca de 10 mil imagens — 300 delas foram publicadas nos dois livros que compõem o box.

Narrativas
Essas narrativas são guiadas a partir da percepção e experiência de crianças como Franciele, de 10 anos, da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, que ao se pendurar em cipós e se equilibrar em troncos, imagina-se nas Olimpíadas. Do outro lado da floresta, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, Renata, de nove anos, narra de forma lúdica as origens de seu povo, os Macuxis — que surgiram a partir da revolta do guerreiro Makunaima.

O pequeno Homero, de nove anos, vive em Afuá, no Pará, um lugar que “não tem trânsito nem poluição”. No entanto, lá acontece um encontro grandioso: o mar se choca com o rio Amazonas, dando origem ao espetáculo da Pororoca. Emocionante também é a história do Samuel, de 11 anos, que mora em Manaus. Ele é apaixonado por livros e já viu sua casa, erguida sob palafitas, ser levada pela enxurrada.    

Expedição
No total, a expedição foi dividida em três etapas e durou 93 dias. Começou no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, em que a equipe participou do Quarup, ritual em homenagem aos mortos, e terminou no Oiapoque, a última cidade do Norte do Brasil.

“Nosso grande desafio foi produzir um conteúdo em que as crianças da Amazônia dialogassem com meninos e meninas do mundo”, diz o jornalista Morris Kachani. Já o artista Angelo Abu optou pela técnica da colagem para conceber as ilustrações do livro. “Meu trabalho se definiu quando percebi que deveria utilizar as cores internas e externas que habitavam nas crianças. Ou seja, aquilo que os rodeava, a natureza, e o que estavam na cabeça delas, as lendas, os heróis, etc.”

A partir dessa ampla elaboração de linguagens — fotografia, ilustração e texto —, o livro aborda temas urgentes, como os modos de viver e ser na Amazônia, a urgência de conhecer esse importante manancial verde da humanidade e o despertar de uma consciência preservacionista, longe da destruição.

Araquém Alcântara nasceu em Florianópolis (SC), em 1951. Precursor da fotografia de natureza no Brasil, é hoje um dos mais importantes fotógrafos do país. Desde 1970, dedica-se integralmente à documentação e proteção da natureza brasileira. Tem uma vasta produção em livros, com mais de 60 obras publicadas sobre temas ambientais. Entre eles, TerraBrasil, livro de fotografia mais vendido no país.

Amazônia das crianças
Fotografia: Araquém Alcântara
Texto: Morris Kachani
Ilustrações: Angelo Abu
Editora TerraBrasil
Rascunho

O Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

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