Falta de educação

Apenas 46 de 2070 instituições de ensino superior atingiram nota máxima no Índice Geral de Cursos. E, no governo Bolsonaro, a verba para o MEC caiu 47%
Ilustração: FP Rodrigues
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07/05/2021

Letrado (a) leitor (a), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou recentemente que apenas 2,22% (dois vírgula vinte e dois por cento!!!!) das 2070 instituições de ensino superior do Brasil atingiram a nota máxima no Índice Geral de Cursos, que mede a qualidade da educação no país. Entre as 46 instituições que alcançaram a nota máxima, 14 são universidades federais e 16 são privadas, sem fins lucrativos, concentradas, em sua maioria, em São Paulo. Os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte são os que apresentam maior número de instituições com as piores notas. E esses dados se referem a 2019, portanto, antes da pandemia…

Mas, aqui, como nós sabemos, se há possibilidade de tornar ainda mais trágico o que já é terrível, transformamos! Nos dois primeiros anos do governo, deus que me perdoe, Bolsonaro, os investimentos do Ministério da Educação caíram 47%, atingindo seu menor nível histórico, R$ 3,3 bilhões. E, com a pandemia, o tempo médio de escola do grupo de alunos de seis a quinze anos, em setembro do ano passado, foi de duas horas e vinte e dois minutos por dia, muito inferior ao mínimo estabelecido pela Lei de Diretrizes Básicas da Educação, que é de quatro horas, segundo dados da FGV Social. Os grupos com menos horas de escolaridade são os mais pobres e que moram em lugares mais distantes…

Então, de novo, fica a pergunta: você realmente acredita que isso ainda pode acabar bem?

Luz na escuridão
Fernando Fiorese, poeta, contista, romancista, ensaísta

“Em tempos tão sombrios e excessivos, escrevo para sobreviver, para escapar à barbárie através deste pequeno gesto civilizatório. Em nome dos cadáveres anônimos que se acumulam diante dos meus olhos, escrevo também para me vingar daqueles que arrastam no horizonte de nossas janelas as antiforças do Ur-Fascismo descritas por Umberto Eco. Escrevo muitas coisas ao mesmo tempo, arranjando o caos com que a poesia e a prosa me acossam. De um lado, uma longa série de poemas acerca da história da Zona da Mata de Minas Gerais, miniatura da violência própria da invenção do Brasil; de outro, o romance Diário da minha irmã morta, que transcorre nos anos 1960 e trata dos efeitos da ortodoxia religiosa quando combinada com a miséria material”.

Parachoque de caminhão
“Nada é a morte em confronto com a vergonha.”
Leonardo Sciascia (1921-1989)

Antologia pessoal da poesia brasileira
Olavo Bilac
(Rio de Janeiro, RJ – 1865-1918)

Velhas árvores

Olha estas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas…

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

(Alma inquieta, 1902)

Luiz Ruffato

Estreou em 2001 com Eles eram muitos cavalos, e, depois disso, publicou outros cinco romances, uma coletânea de contos, uma de poemas, uma de crônicas, um ensaio e uma história infantil. Seus livros ganharam os prêmios APCA (duas vezes), Jabuti (duas vezes), Machado de Assis da Biblioteca Nacional e Casa de las Américas, de Cuba, e estão publicados em 13 países. Em 2012 foi escritor-residente na universidade de Berkeley (EUA); e em 2016 ganhou o Prêmio Internacional Hermann Hesse, na Alemanha.

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