Muitas dúvidas

Bernardo Carvalho: "Duas páginas e alguma ideia sobre as duas no dia seguinte."
Bernardo Carvalho, autor de “Nove noites”
05/02/2015

Bernardo Carvalho é um dos mais importantes autores contemporâneos brasileiros. Nascido em 1960, no Rio de Janeiro, estreou com os contos de Aberração, em 1993. A partir de Onze (1995), passa a se dedicar integralmente ao romance. Desde então, publicou outros dez livros, com destaque para Mongólia (2003) e Nove noites (2002). Sua obra está traduzida para o inglês, francês, espanhol, italiano, entre outras línguas. E já recebeu os principais prêmios literários do Brasil. Em 2013, Reprodução venceu o Jabuti na categoria romance.

• Quando se deu conta de que queria ser escritor?
Quando entendi que não sabia fazer outra coisa.

• Quais são suas manias e obsessões literárias?
Que manias?

• Que leitura é imprescindível no seu dia-a-dia?
Jornal e ficção.

• Se pudesse recomendar um livro à presidente Dilma, qual seria?
Ilusões perdidas [de Balzac].

• Quais são as circunstâncias ideais para escrever?
Longe daquilo sobre o que eu escrevo.

• Quais são as circunstâncias ideais de leitura?
Silêncio.

• O que considera um dia de trabalho produtivo?
Duas páginas e alguma ideia sobre as duas no dia seguinte.

• O que lhe dá mais prazer no processo de escrita?
Fazer sentido.

• Qual o maior inimigo de um escritor?
A impaciência.

• O que mais o incomoda no meio literário?
Levar-se demasiado a sério.

• Um autor em quem se deveria prestar mais atenção.
Os poetas, em geral.

• Um livro imprescindível e um descartável.
À sombra do vulcão [de Malcolm Lowry]. Os de autoajuda, em geral.

• Que defeito é capaz de destruir ou comprometer um livro?
A autoindulgência.

• Que assunto nunca entraria em sua literatura?
Todos entram.

• Qual foi o canto mais inusitado de onde tirou inspiração?
Não lembro. Talvez “São Paulo” (como o Bussunda, falando sobre o lugar mais inusitado onde fez sexo).

• Quando a inspiração não vem…
Tento trabalhar.

• Qual escritor — vivo ou morto — gostaria de convidar para um café?
Herman Melville.

• O que é um bom leitor?
O que lê sem preconceito.

• O que te dá medo?
Parar de escrever.

• O que te faz feliz?
Escrever.

• Qual dúvida ou certeza guia seu trabalho?
Muitas dúvidas.

• Qual a sua maior preocupação ao escrever?
Não pensar nisso.

• A literatura tem alguma obrigação?
Não.

• Qual o limite da ficção?
Ser ficção.

• Se um ET aparecesse na sua frente e pedisse “leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Dependendo das intenções dele, levaria ao Jair Bolsonaro, ao Marco Feliciano, ao Silas Malafaia ou a algum de seus colegas.

• O que você espera da eternidade?
Voltar sempre.

Rascunho

O Rascunho foi fundado em 8 de abril de 2000. Nacionalmente reconhecido pela qualidade de seu conteúdo, é distribuído em edições mensais para todo o Brasil e exterior. Publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção (contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs.

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