Eu recomendo

agosto 2013 / Eu recomendo / W ou a memória da infância

Texto publicado na edição #161

W ou a memória da infância

Emilio Fraia indica o romance de Georges Perec

> Por RASCUNHO

“Na prateleira das lembranças de guerra (e das narrativas sobre a memória), nada pode ser mais original do que W ou a memória da infância, de Georges Perec. O livro alterna dois textos: um autobiográfico, que reconstitui a infância do autor, que perdeu os pais durante a guerra; e outro, uma narrativa fantástica sobre W, um país imaginário no meio da Patagônia, ‘uma terra em que o Esporte é rei, uma nação de atletas em que o Esporte e a vida se confundem’. O narrador nos conta que, quando criança, inventou e desenhou a história de W. Então, enquanto tenta recuperar suas memórias ausentes da guerra, reconstrói a vida nesta sociedade cuja finalidade única é exacerbar a competição, exaltar a vitória. ‘Não é o amor do esporte pelo esporte, da façanha pela façanha, que anima os homens em W, e sim a sede da vitória, da vitória a qualquer preço’, escreve. Entre a amnésia e a ficção, as duas narrativas se desenvolvem ao mesmo tempo, como se uma fosse o comentário da outra – e o efeito disso é absolutamente magnífico.”

 

 

 

Emilio Fraia. Foto: Divulgação
Emilio Fraia nasceu em São Paulo, em 1982. É autor do romance O verão do Chibo, em parceria com Vanessa Barbara, e da HQ Campo em branco, com o quadrinista DW Ribatski. Foi repórter das revistas Trip e piauí e colaborador de Bravo!. Em 2012, foi um dos vinte autores selecionados para a edição Os melhores jovens escritores brasileiros da revista Granta. Vive em São Paulo (SP).

Print Friendly

Georges Perec

00390_gg

Nasceu em 1936 e foi um dos grandes inovadores da literatura no século 20. Em 1965, recebeu o prêmio Renaudot por As coisas, seu primeiro romance, e, em 1967, passou a integrar o centro de literatura experimental OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potencielle), fundado por Raymond Queneau. Perec morreu em 1982.

Georges_Perec_W_161

Georges Perec
Trad.: Paulo Neves
Companhia das Letras
200 págs.