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junho 2016 / Rodapé / Anotações sobre romances (33)

Texto publicado na edição #193

Anotações sobre romances (33)

A ficção em busca de respostas para fatos históricos

> Por RINALDO DE FERNANDES

Aleilton Fonseca, autor de O pêndulo de Euclides

Aleilton Fonseca, autor de O pêndulo de Euclides

O romance O pêndulo de Euclides, conforme ainda os pesquisadores Adenilson de Barros e Gilmei Francisco no livro Canudos — conflitos além da guerra: entre o multiperscpectivismo de Vargas Llosa (1981) e a mediação de Aleilton Fonseca (2009), “expõe as características históricas atuais da região e dos habitantes de Canudos à procura de respostas para um assunto que ainda não está encerrado”. Vale a pena citar um trecho do livro em que os pesquisadores indicam o “enigma de Euclides da Cunha” — ou o “choque de significados” — que teria levado Aleilton Fonseca à escrita do romance: “Em entrevista à rádio Unesp, Aleilton Fonseca afirma haver ‘certos vazios que a história não registra e que só a ficção pode dar conta’. Perguntado sobre a lacuna histórica que o mobilizou mais para a escrita do romance, explica ter sido ‘o enigma de Euclides da Cunha. Quando exatamente, em que momento de sua vida, ele tomou aquele choque de significados e começou a mudar de posição’. O enigma a que se refere Fonseca pode ser verificado se comparados, por exemplo, um trecho do artigo ‘A nossa vendeia’ com a nota preliminar de Os sertões. No primeiro, Euclides da Cunha se refere às ‘hostes fanáticas do Conselheiro’ e aos soldados da República talvez não percebidos ‘através das matas impenetráveis, coleando pelos fundos dos vales, derivando pelas escarpas íngreme das serras, os trilhos, as veredas tristes por onde passam, nesta hora, admiráveis de bravura e abnegação’. Na segunda, o mesmo autor escreve que a Guerra de Canudos ‘foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo’”. Em O pêndulo de Euclides, ademais, o narrador se identificaria profundamente com o próprio autor: “Os dois apresentam-se como intelectuais interessados em desvendar mistérios da temática canudense, viajaram ao lugar dos conflitos, construindo suas impressões e seus aprendizados”. Enfim, com Canudos — conflitos além da guerra: entre o multiperscpectivismo de Vargas Llosa (1981) e a mediação de Aleilton Fonseca (2009), Adenilson de Barros de Albuquerque e Gilmei Francisco Fleck dão uma ótima contribuição para os estudos do romance histórico sobre Canudos.

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