Teresa em êxtase

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09/01/2013

Esta divina prisión
del amor con que yo vivo
ha hecho a Dios mi cautivo
y libre mi corazón
Teresa Sanches de Cepeda y Ahumada

I
O meu Cristo
grita palavrões
e quando me fode
eclodem aleluias.
Lambo como hiena
seu corpo de chagas.
Mostro a língua
como naja.
Ardo.

II
Já não penso em São Miguel
e sua espada de ouro.
Adoro, quero
espadas púrpuras latejantes.
Beijo seus caminhos de veias.
Espadas atravessando-me.
Espadas.
Atravessando-me por cima
e por baixo.
Façam-me bainha e cloaca.
Retalhem-me
como rês no abate.

III
A boca abro também
em súplicas:
faça entrar em mim
tudo o que desejo.
Marque a pele.
As pernas
abro para qualquer motivo:
suspendo-as no ar
seguro pelos joelhos
apóio nas paredes.
É meu sagrado templo
que desvendo para meu
Amado Esposo.

IV
É a arena e seus covis?
São mulheres que cantam
carregando seus potes
de barro?
Ou minha loucura
aplaudindo o deus vivo?
Quebrei unhas em seu dorso
bebi suor.
Seu cheiro é igual
ao dos mercadores
e dos jardineiros do pátio.
Levito, caem os panos.
Na cruz, Ele se ergue nu:
circuncidado de promessas.
― Como é longa a fé
que me consome agora!

V
Que natureza é essa?
É de carne e de vontade.
Vou jejuar do sonho
e arrotar a polidez.
Mãos procuram
o úmido entre as pernas.
Estou de quatro, quero ganir:
en la celda sofocada
ofereço cu e alma
para santos castos.
Salvarei a todos
com sincero clamor.
Foda foda foda
estremecem os cilícios
quando oro em êxtase.

VI
Ganimedes não teve melhor sorte:
em minha ceia
apalpo colhões de arcanjos
e apóstolos.
Brindo vinagre ao mundo.
Santa!, gemem os homens famintos.
Mostro os seios com orgulho
delirando em fezes e pêssegos.
Está liberta!, grita enfim
o Redentor.
Façam fila!, ordeno.
Grande banquete de picas
para a matrona de Ávila.

Oremos.

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