Arturo Herrera

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on pinterest
Share on telegram
24/01/2012

Tradução: Ronaldo Cagiano


Amanhecer

As árvores vão tocar o alvorecer;
a folharada úmida já foi amada.
Aqui, embaixo, os murmúrios e ruídos;
a alma se estremece nas veredas;
ninguém reconhece os pássaros;
as flores vivem como a brisa quer
o espaço silente e a intimidade morrem.
A praça nos salva de algumas mortes.


Fim das ruas

Morre a numeração cansada;
este é um limite. Daqui,
o horizonte prolonga a solidão de areia.
Uma chama pestaneja pelas noites,
ilumina um pedaço de pão compartilhado.
Todo possível ruído
foge em silêncio;
só os cachorros adoram a lua.
O frio trêmulo lastima a pobreza
e já é desprezada a bela chuva
pelo seu costume de invadir as casas.
Morrer-se aqui é apagar os olhos
para não ver os sofrimentos.
Todos usam palavras iguais para o morto:
tem um rosto tão sereno.
Choro de uma criança nova!
Há outro herdeiro dos sofrimentos.


Próximo à viagem

Aqui em meu quarto
restarão todas as coisas que
me acompanham.
Ainda que em minha escrivaninha
se abisme o último grão da vertical de areia,
continuará incessante em meu corpo.
No regresso, seu eu regressar, os livros terão algo de poeira.
A tarde se acostumará
à penumbra do silêncio.
Somente deixo minha ausência.

Publicidade

Leia também

Rascunho

Curitiba - PR

Nas histórias de “Estão matando os meninos”, o colunista do “Rascunho” descreve as tragédias que acompanham os menos abastados no Brasil
Rascunho

Curitiba - PR

Publicação sobre cultura e leitura traz conto inédito do escritor e editor do “Rascunho”, Rogério Pereira, e ilustrações da artista Elisa Carareto
Rascunho

Curitiba - PR

Aulas da Oficina do Subtexto têm início em 15 de março e seguem até maio, com encontros semanais, às segundas-feiras, via Zoom
Carolina Vigna

São Paulo - SP

Um país que produziu Paulinho da Viola, Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Dona Ivone, Cartola, Pixinguinha e Noel Rosa não pode ser de todo ruim