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dezembro 2011 / Vidraça / Vidraça_maio_2010

Texto publicado na edição #121

Vidraça_maio_2010

Paixão pela literatura No dia 24 de abril, a publicação do texto A crítica como papel de bala, da pesquisadora […]

> Por LUÍS HENRIQUE PELLANDA

Paixão pela literatura
No dia 24 de abril, a publicação do texto A crítica como papel de bala, da pesquisadora e crítica literária Flora Süssekind, no caderno Prosa & Verso do jornal O Globo, deu início a um debate acalorado. Num artigo em que pretendia discorrer sobre a irrelevância e a falência da crítica literária atual, Flora partiu de um ataque ao que chamou de “necrológios de Wilson Martins”, referindo-se, entre outras coisas, ao especial publicado no Rascunho 119, por ocasião da morte do crítico, e do qual participaram Miguel Sanches Neto, Alcir Pécora, Sérgio Rodrigues, Assis Brasil, Rodrigo Gurgel e André Seffrin. Para quem ainda não leu o texto de Süssekind — abrangente e interessante em vários sentidos —, vale uma visita ao blog do Prosa Online (oglobo.globo.com/blogs/prosa).

Matar e matar de novo
Além de acusar o “jornal curitibano” de seguir uma “orientação orgulhosamente conservadora” — e, de minha parte, não compreendo como alguém poderia detectar qualquer indício de orientação coletiva no Rascunho, para a direita ou para esquerda, para trás ou para frente —, Flora desanca Sanches, Rodrigues e Pécora (este último, por um texto publicado na Folha de S. Paulo), falando em “proselitismo” e “reações de ressentimento nostálgico”. Em determinado momento, a autora dá a dica: “Talvez seja necessário, na discussão de um espaço ainda crítico para a crítica, matar mais uma vez Wilson Martins”. Imediatamente, manifestações de repúdio ou de apoio à Flora correram a web — em especial, via Twitter.

O riso do morto
Até o fechamento desta coluna, Pécora e Rodrigues ainda não haviam respondido ao artigo. Miguel Sanches Neto, porém, mesmo não o fazendo claramente, parece ter dedicado à Flora o seguinte tweet, intitulado O riso do morto: “Depois de receber as 30 punhaladas, ele se ergueu e disse: ‘Eu já estava morto, querida’. E enquanto sangrava ele ria, ria”.

Hidrofobia
O poeta Affonso Romano de Sant’Anna reagiu com mais intensidade. Em seu blog (affonsoromano.com.br/blog), ele publicou o texto Flora Süssekind, a hidrófoba, que bate pesado na pesquisadora: “Wilson Martins morto é mais útil e fecundo do que Flora Süssekind viva”.

E o leitor, cadê?
No Twitter, no Facebook e nas caixas de comentários de diversos blogs, as opiniões se multiplicaram. O escritor Marcelo Moutinho lamentou que o “texto erudito” de Flora falasse apenas de “críticos, resenhistas e escritores”. “O leitor, como de hábito, ficou de fora”, completou, lembrando que Süssekind “reitera a defesa de uma literatura feita para ser analisada, e não para ser lida”. Felipe Pena seguiu a mesma linha: “Os mestrandos e doutorandos em literatura não lêem ficção. Preferem os críticos”. Fernando Molica fez eco: “O longo texto de FS passa ao largo da figura do leitor, como se ele — conservador ou não — fosse irrelevante no processo de produção literária”.

Não fez escola
No Blog da Flip (flip.org.br/blog.php), Flávio Moura concordou com Flora em quase tudo. “É fato que o crítico (Martins) não fez escola — apesar de professor por toda a vida, não investiu na formação dos alunos a ponto de deixar sucessores à altura”, escreveu. Só não se mostrou convencido acerca dos nomes que Süssekind apontou como exceções à mesmice da literatura brasileira atual: Carlito Azevedo, Nuno Ramos, Bia Lessa e Rodolfo Caesar.

Moderado
Luís Antônio Giron, colunista da Época, também repercutiu o assunto. Em O papelão da crítica, escreveu que o “texto brutal” de Flora o fez meditar sobre o “exercício que faço todos os dias — o da resenha cultural não-acadêmica de livros, cinema, teatro, música”. Mas também confessou não entendê-la completamente, apesar de admirá-la: “Não compreendo ela chutar um crítico morto, que é pior que um cachorro morto neste país que odeia quem aponte erros, quem enuncie idéias, quem leia com atenção”. Por fim, ele acabou também fazendo uma apologia a Wilson. Vale a leitura: revistaepoca.globo.com, em Colunas.

Os comentários
Curiosamente, o texto de Flora foi pouco comentado no blog do Prosa. Mas cabe reproduzir, aqui, sem edição, alguns dos comentários registrados nele, e que nos trazem outro ângulo do problema. “Pra quê serve um crítico, seja literário, musical etc? Pra te dizer o que você deve ou não deve ler/ouvir/assistir… E ainda reclamam dos preguiçosos da internet…”; “No Brasil já se lê pouco os livros, ainda querem que se leiam as críticas destes?”; e “Bom dia, pretendo participar do concurso Contos do Rio. No entanto, não consegui ver a foto vencedora. Onde posso vê-la?”.


Carola Saavedra abre a quinta temporada do Paiol Literário

Paiol estréia com Saavedra
O projeto Paiol Literário — promovido pelo Rascunho, em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba e o Sesi Paraná — chega à sua quinta temporada. O primeiro encontro do ano está marcado para o dia 19 de maio, no Teatro Paiol, em Curitiba. A convidada será Carola Saavedra, autora dos romances Toda terça (2007), Flores azuis (vencedor do prêmio APCA de 2008) e o recém-lançado Paisagem com dromedário, todos editados pela Companhia das Letras. Em 2005, lançou o livro de contos Do lado de fora, pela 7Letras. Carola nasceu em Santiago do Chile, em 1973, e mudou-se para o Brasil aos três anos. Escritora e tradutora, também morou na Espanha, na França e na Alemanha, onde concluiu seu mestrado em Comunicação. Atualmente, vive no Rio de Janeiro.

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