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dezembro 2011 / Vidraça / VIDRAÇA_Julho_2010

Texto publicado na edição #123

VIDRAÇA_Julho_2010

Ferreira Gullar leva o Camões Às vésperas de completar 80 anos, o poeta maranhense , concedido anualmente — pela Fundação […]

> Por LUÍS HENRIQUE PELLANDA

Ferreira Gullar é o 22.º escritor lusófono a ganhar o Prêmio Camões

Ferreira Gullar leva o Camões
Às vésperas de completar 80 anos, o poeta maranhense , concedido anualmente — pela Fundação Biblioteca Nacional e pelo Instituto Camões — aos autores mais representativos da língua portuguesa em todo mundo. A escolha foi anunciada em Lisboa, no dia 31 de maio, pela ministra da cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas. Os três jurados indicados pelo ministro da cultura Juca Ferreira, para integrar a comissão julgadora do prêmio, foram Edla Van Steen, Antônio Carlos Secchin e, de São Tomé e Príncipe, Inocência Luciano dos Santos Mata. Além deles, havia outros três jurados, dois portugueses, Helena Buescu e José Carlos Seabra Pereira, e um moçambicano, Luiz Carlos Patraquim. O valor do Camões, pago pelos governos brasileiro e português, é de 100 mil euros.

Affonso é do Piauí
E para falar de outro poeta brasileiro consagrado, o mineiro Affonso Romano de Sant’Anna se tornou cidadão piauiense — no mesmo dia em que Gullar ganhou o Camões. A cerimônia se deu na Assembléia Legislativa daquele estado, na abertura da oitava edição do Salão do Livro do Piauí (Salipi).

Placar da ABL
No dia 2 de junho, a Academia Brasileira de Letras concedeu imortalidade a um novo membro. Para a cadeira 29 da instituição, antes ocupada pelo bibliófilo José Mindlin, morto em fevereiro deste ano, foi eleito o escritor, poeta e diplomata recifense Geraldo Holanda Cavalcanti, autor de Encontro em Ouro Preto. Confira o placar oficial da contenda: Cavalcanti teve 20 dos 39 votos possíveis; o ministro do STF Eros Grau, 10; o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, 8; e Martinho da Vila, nenhum. Contabilizou-se ainda um voto em branco. Aos leitores do Rascunho, fica a dúvida: por onde andará o escritor paranaense Paulo Hirano, eterno candidato a uma vaga?

Ainda sobre a Academia
Saiu o Prêmio Machado de Assis deste ano. O vencedor, pelo conjunto da obra, foi o crítico literário e professor paraense Benedito Nunes, fundador da Faculdade de Filosofia do Pará e autor de O drama da linguagem, uma leitura de Clarice Lispector. Formaram a comissão julgadora os imortais Eduardo Portella, Lygia Fagundes Telles, Tarcísio Padilha, Alfredo Bosi e Domício Proença Filho. Em junho, a Academia Brasileira de Letras também anunciou os ganhadores de seus outros prêmios literários anuais: Rodrigo Lacerda venceu na categoria romance, com Outra vida; Ângela-Lago, na categoria infanto-juvenil, com Marginal à esquerda; Milton Lins, na categoria tradução, com Pequenas traduções de grandes poetas; e Ronaldo Costa Fernandes, na categoria poesia, com A máquina das mãos. Benedito Nunes receberá R$ 100 mil. Aos outros serão destinados R$ 50 mil cada. A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá no Petit Trianon, no Rio de Janeiro, no dia 20 de julho, data de aniversário de 113 anos da ABL.

Fiofó exposto
Milton Lins ganhou o prêmio ABL de melhor tradução, mas a tradutora Denise Bottmann não deixou barato. No seu blog Não gosto de plágio, apontou uma série de erros grosseiros no trabalho do premiado, além de lembrar que Lins é um velho amigo de Marcos Vilaça, presidente da Academia. O tradutor também foi criticado por certas escolhas para lá de originais, como a solução que encontrou para a chave de ouro do poema Vénus Anadyomène, de Rimbaud. Onde se lia “Belle hideusement d’un ulcère à l’anus”, Lins escreveu: “Tem úlcera — que horror! — ao pé do fiofó!”. Vale conferir os posts de Denise sobre o assunto: http://naogostodeplagio.blogspot.com/

Mais um galardão
Outro premiado do mês foi o escritor, crítico e professor Silviano Santiago, mineiro de Formiga, autor de livros como Em liberdade, Heranças e Keith Jarret no Blue Note. Ele foi o quarto vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, pelo conjunto de sua obra. Já haviam sido contemplados, em edições anteriores, os autores Antonio Candido, Sérgio Sant’Anna e Luis Fernando Verissimo. O valor da premiação é de R$ 120 mil.

Olho no tablóide
Acaba de ser lançado o jornal literário Lettera Libris, editado por Nelson de Oliveira, Marne Lúcio Guedes e Daniel Esdras. Cada exemplar custa R$ 4 (à venda somente nas unidades da Livraria da Vila, em São Paulo), mas as assinaturas podem ser feitas pelo e-mail letteralibris@letteralibris.com.br. Nesta edição número zero do tablóide de oito páginas, destaque para uma entrevista com João Silvério Trevisan e para as fotos de Mario Rui Feliciani. Entre os colaboradores, Marcelino Freire, Braulio Tavares, Fabrício Marques e Fábio Fernandes.

Paiol em obras
Em julho e agosto, infelizmente, não haverá Paiol Literário. O Teatro Paiol, em Curitiba, estará fechado para reformas. Mas a partir de setembro, o projeto começa a tirar esse atraso, com duas edições já marcadas para os dias 1.º e 15. Os convidados, no entanto, ainda não estão definidos. Aliás, quem quiser fazer sugestões, perguntas, elogios e críticas ao Paiol Literário pode mandar tudo para o e-mail paiolliterario@gmail.com.

Pobres diabos
Saramago morreu no dia 18 de junho, todo mundo sabe disso. Mas, para que sua morte não passe em branco por aqui, publico um trecho da longa entrevista que ele concedeu a José Castello, em 1996, na Ilha de Lanzarote: “A tristeza é, também, compaixão. No fundo, somos uns pobres diabos. É a compaixão que nos leva a interrogar: por que não podemos ser de outra maneira? Por que não conseguimos ser melhor do que somos? Por que não conseguimos ser bons?”.

Wilson Bueno

Jantar os nossos nomes
Wilson Bueno foi assassinado no dia 31 de maio. Registro aqui um trecho da conversa que tive com ele e a escritora Assionara Souza, em outubro do ano passado, durante a Feira de Livros do Sesc, em Curitiba. Wilson: “O que é o meu nome? Não é nada, e as pessoas vivem pela vaidade do nome. Eu tenho até um tanka, no meu único livro de tankas, Pequeno tratado de brinquedos, que se chama Anônimo: ‘Eu e a minha mestra/ saímos caçar cepilhos/ só colhemos grilos/ tarde voltamos com fome/ jantamos os nossos nomes’. Quanto mais a gente jantar os nossos nomes, melhor será para a arte”.

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